Notícia Todo Dia NTD
Gastronomia e Turismo

Do balcão ao caixa: Botequins históricos movimentam R$ 269 milhões no Rio

20/09/2026 • 11:47 • Por Felipe Masid

Os argentinos lideram entre os estrangeiros que procuram a culinária local

Foto: Jack Pierce/Unsplash

Levantamento mostra que 52 bares e restaurantes reconhecidos como Patrimônio Cultural Carioca recebem 2,9 milhões de clientes por ano e empregam cerca de 1,2 mil pessoas

Entre um chope gelado, uma porção na mesa e uma boa conversa no balcão, os botequins históricos do Rio mostram que tradição também movimenta a economia. Os 52 bares, restaurantes e botequins que integram o Circuito de Botequins, reconhecidos como Patrimônio Cultural Carioca, movimentam R$ 268,9 milhões por ano e recebem aproximadamente 2,9 milhões de clientes no mesmo período. Os números fazem parte de levantamento da Prefeitura do Rio, realizado por meio da Riotur, das secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico (SMDE) e de Coordenação Governamental (SMCG) e do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). Na conta mensal, são cerca de R$ 22,4 milhões em movimentação econômica e 242,1 mil frequentadores, com ticket médio de R$ 78,94. O impacto chega também ao mercado de trabalho: juntos, os estabelecimentos mantêm aproximadamente 1,2 mil empregos, uma média de 23,4 profissionais em cada endereço. 

Os dados revelam ainda que a tradicional mesa de bar carioca está longe de ser frequentada apenas por moradores da cidade. Em média, 24% dos clientes são visitantes de outros municípios ou países, e os argentinos lideram entre os estrangeiros que procuram esses espaços. O volume de consumo ajuda a dimensionar a movimentação: ao longo de um ano, são servidos aproximadamente 3,5 milhões de chopps e 435,9 mil drinks, o equivalente a médias mensais de 289,1 mil chopps e 36,3 mil drinks. Quando o assunto chega ao prato, carnes e churrascos aparecem como os itens mais citados, respondendo por 42,2% do total. Além do peso econômico e turístico, o circuito carrega décadas de história: os estabelecimentos têm, em média, 73 anos de existência, com ano médio de fundação em 1953.

Patrimônio servido à mesa

Essa relação entre gastronomia, memória e identidade também ganha espaço na série digital “Patrimônios do Rio”, que terá um episódio especial dedicado ao Novo Mercado São José, em Laranjeiras. O lançamento está marcado para 21 de setembro e celebra o primeiro aniversário da reabertura do espaço. Inaugurado originalmente como mercado popular em 1944, o endereço se consolidou como ponto de encontro do bairro e foi reconhecido como Patrimônio Cultural Carioca em 1994. Depois de permanecer fechado durante sete anos, passou por uma restauração realizada pela Prefeitura do Rio e reabriu em 21 de setembro de 2025, assumindo uma nova configuração como polo gastronômico e cultural na Zona Sul.

Criada pela Riotur em parceria com o IRPH, a série “Patrimônios do Rio” apresenta histórias, personagens e tradições relacionados a estabelecimentos reconhecidos como patrimônio cultural da cidade. Lançado em 2025 e atualmente em sua segunda temporada, o projeto procura mostrar como esses endereços ajudam a formar a identidade carioca e também integram a experiência de quem visita a capital fluminense. Os números do Circuito de Botequins acrescentam agora uma dimensão econômica a essa história: além de preservar costumes e atravessar gerações, os tradicionais balcões cariocas atraem turistas, sustentam empregos e movimentam milhões de reais. No Rio, patrimônio não fica apenas em exposição — também chega à mesa, pede um chope e ajuda a pagar a conta da economia.

Felipe Masid