Levantamento da Quaest vai medir o desempenho dos presidenciáveis entre os baianos e também traçar o cenário das disputas pelo governo estadual e pelas duas vagas do Senado.
A Bahia volta ao centro das atenções da corrida presidencial e, desta vez, entra no radar como um dos principais termômetros para medir a força de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no Nordeste. Maior colégio eleitoral da região e quarto maior do país, o estado será alvo de uma nova rodada da Quaest, que pretende mostrar como os dois principais adversários se comportam em um território de grande peso na estratégia nacional das campanhas. O levantamento colocará à prova diferentes configurações da eleição: haverá uma simulação de primeiro turno com 13 nomes e também um confronto direto entre Lula e Flávio em uma eventual segunda rodada. Mais do que registrar percentuais, o estudo procura identificar o grau de consolidação das escolhas, o espaço disponível para mudanças ao longo da campanha e a capacidade de cada candidatura de ampliar sua presença entre segmentos distintos do eleitorado baiano. A expectativa em torno da sondagem cresce justamente porque a Bahia tem apresentado diferenças expressivas entre os dois candidatos em levantamentos anteriores, tornando-se um ponto importante para observar se esse quadro permanece estável ou começa a sofrer alterações com o avanço da campanha.
Contratada pela TV Bahia, a pesquisa prevê 900 entrevistas de hoje à quarta-feira, 23, e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03961/2026. A margem de erro informada é de aproximadamente três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O questionário vai além da tradicional pergunta sobre em quem o entrevistado votaria se a eleição fosse realizada naquele momento: também investiga rejeição, potencial de voto, interesse pela disputa e identificação política. Esses indicadores ajudam a revelar não apenas quem aparece numericamente à frente, mas também quais candidaturas encontram maior resistência e onde ainda existe margem para crescimento. A comparação com pesquisas anteriores será um dos pontos de interesse quando os novos dados forem divulgados. Levantamento do Real Time Big Data apresentado em 9 de setembro registrou Lula com 55% das intenções de voto e Flávio com 24% em uma simulação de primeiro turno. No confronto direto, os percentuais foram de 61% para o petista e 30% para o candidato do PL. A nova rodada permitirá observar se houve movimentação desde então, considerando as diferenças metodológicas entre institutos e períodos de coleta.
Termômetro baiano
A pesquisa também deverá oferecer uma fotografia mais ampla da política baiana, porque não ficará limitada à sucessão presidencial. Na corrida pelo governo do estado, seis candidatos são apresentados aos entrevistados, entre eles o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que busca permanecer no cargo, e ACM Neto (União), novamente colocado como seu principal adversário em um dos cenários pesquisados. A Quaest também simula um eventual segundo turno entre os dois e mede a avaliação da administração estadual, além de perguntar diretamente ao eleitor se considera que Jerônimo merece ser reeleito. Outro capítulo importante será a corrida pelo Senado. Como duas cadeiras estarão em disputa, dez nomes aparecem no questionário, permitindo avaliar como as diferentes forças políticas estão se posicionando para uma eleição que pode modificar a composição da bancada baiana em Brasília. O conjunto dessas perguntas ajuda a identificar eventuais relações entre as escolhas para Presidente, governador e senador, além de mostrar em que medida os palanques estaduais podem contribuir para as candidaturas nacionais.
A atenção maior, entretanto, estará sobre os números do confronto presidencial e sobre o comportamento de um eleitorado que historicamente tem papel relevante no desempenho do PT no Nordeste. Para Lula, os novos dados permitirão medir a manutenção de sua votação em uma região importante para sua estratégia eleitoral; para Flávio Bolsonaro, mostrarão o tamanho do espaço disponível para ampliar sua presença em um estado onde levantamentos anteriores registraram vantagem do adversário. O questionário ainda introduz um componente diferente ao investigar percepções dos entrevistados sobre os dois campos políticos, perguntando qual cenário provoca mais medo: a volta da família Bolsonaro ao poder ou mais um mandato de Lula. O resultado pode oferecer pistas sobre rejeição e sentimentos que cercam as candidaturas, mas não substitui a medição direta da intenção de voto. Os percentuais da nova pesquisa estão previstos para serem conhecidos, na próxima quinta-feira, 24. Até lá, o desenho do levantamento já revela a importância atribuída à Bahia nesta etapa da campanha: além de medir quem conquista mais votos no maior colégio eleitoral nordestino, a sondagem ajudará a mostrar onde estão as resistências, as possibilidades de crescimento e o grau de estabilidade das escolhas dos baianos.