Trabalhadores onshore e offshore iniciam paralisação por tempo indeterminado após impasse na negociação da Convenção Coletiva 2026/2027
A pressão subiu em terra e chegou ao alto-mar. Trabalhadores dos setores de manutenção e montagem industrial onshore e offshore iniciaram nesta sexta-feira, 18 de setembro, uma greve por tempo indeterminado em Macaé, no Norte Fluminense, após o impasse nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027. O movimento foi deflagrado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Pintura Industrial, Construção Civil e do Mobiliário (SINTPICC-RJ) depois que profissionais representados pela entidade rejeitaram, em Assembleia Geral Extraordinária, a proposta apresentada pelo setor patronal. Como uma das primeiras ações, trabalhadores foram convocados para uma concentração às 7h30 em frente ao Aeroporto de Macaé, ponto estratégico para o embarque e desembarque de profissionais envolvidos nas operações offshore da Bacia de Campos.
A mobilização, no entanto, não ficou restrita ao continente. Informações divulgadas no âmbito do movimento relatam adesão ou paralisações de trabalhadores vinculados a diversas unidades offshore, entre elas P-69, P-31, P-52, PGP-1, UMCP, P-68, P-67, P-62, UMPA, P-25, P-09, P-56, P-74, P-75, P-77, PNA-1, PCH-1, PCH-2, UMPC, UMAR, P-51 e P-43. A extensa relação indica o alcance anunciado pela mobilização, mas não significa, necessariamente, que todas essas plataformas tenham interrompido integralmente suas operações ou sua produção. A situação de cada unidade precisa ser considerada individualmente e depende de confirmação das respectivas operadoras. Até o momento, as informações disponíveis dizem respeito à adesão ou paralisação de trabalhadores associados às unidades mencionadas.
Impasse embarca na greve
No edital de deflagração, datado de 15 de setembro e assinado pelo diretor-presidente João Rodrigues Vieira, o SINTPICC-RJ afirma que o movimento tem caráter reivindicatório e decorre da ausência de entendimento durante as negociações coletivas. Apesar da decisão de iniciar uma greve sem prazo determinado para terminar, a entidade declara permanecer aberta à retomada imediata das conversas com os representantes patronais em busca de uma solução consensual. O sindicato informou ainda que pretende observar os prazos legais de comunicação e as regras específicas aplicáveis às atividades e aos serviços considerados essenciais. A continuidade ou o encerramento da paralisação dependerá, portanto, do avanço das negociações em torno das reivindicações da categoria e de uma eventual nova proposta capaz de destravar o acordo coletivo.
O movimento ganha relevância por ocorrer em Macaé, uma das principais bases da indústria de petróleo e gás do Estado do Rio e importante centro de apoio às operações da Bacia de Campos. A cidade concentra empresas, trabalhadores, serviços especializados, logística e infraestrutura diretamente relacionados às atividades offshore, fazendo com que os desdobramentos da paralisação sejam acompanhados também por diferentes segmentos ligados à cadeia produtiva. Com a greve oficialmente deflagrada por tempo indeterminado e o sindicato mantendo aberta a possibilidade de diálogo, os próximos passos dependerão da movimentação das duas partes na mesa de negociação. Por enquanto, a pressão que começou em terra já embarcou para o mar, enquanto trabalhadores e empresas tentam encontrar uma saída para o impasse.