Rubro-Negro joga abaixo do esperado, fica com um homem a menos e flerta com o perigo, mas Arrascaeta aparece no fim para carimbar a classificação diante de um Maracanã que assumiu o papel de 12º jogador
O Flamengo entrou em campo com dois gols de vantagem, mas precisou de mais de 60 mil vozes para não transformar uma classificação praticamente encaminhada em uma noite de pesadelo. Diante de 63.534 torcedores no Maracanã, o Rubro-Negro empatou por 1 a 1 com o Independiente del Valle, nesta quinta-feira, 17, e confirmou presença na semifinal da Libertadores. A tranquilidade esperada depois da vitória por 2 a 0 em Quito desapareceu rapidamente. Reasco colocou os equatorianos na frente ainda no primeiro tempo, o time comandado por Leonardo Jardim apresentou dificuldades para criar, acumulou erros e chegou ao intervalo sob vaias. Na etapa final, a situação ficou ainda mais delicada com a expulsão de Jorginho. Foi justamente quando faltou um jogador em campo que sobrou gente nas arquibancadas: o Maracanã abandonou a impaciência e passou a empurrar o Flamengo em busca de uma reação que só chegaria na reta final.
O Independiente del Valle percebeu a fragilidade rubro-negra e chegou a balançar novamente a rede no segundo tempo, mas o lance foi anulado por impedimento. A vantagem construída no Equador, que parecia enorme antes de a bola rolar, passou a funcionar como uma espécie de último escudo contra uma eliminação inesperada. Leonardo Jardim mexeu na equipe, colocando Arrascaeta e Plata nos lugares de Paquetá e Carrascal, e precisou reorganizar o meio-campo depois do cartão vermelho de Jorginho. A resposta apareceu aos 38 minutos: Rossi lançou a bola do campo de defesa, o goleiro adversário Quintana se atrapalhou bisonhamente depois do quique, e Arrascaeta, atento à jogada, completou de cabeça para deixar tudo igual. O 1 a 1 esfriou a reação equatoriana e levou o placar agregado para 3 a 1, suficiente para colocar o atual campeão novamente entre os quatro melhores da América.
Sai Jorginho, entra a Nação
Se o desempenho coletivo ficou distante do esperado, a arquibancada acabou ocupando parte do espaço deixado pelos problemas dentro de campo. Leonardo Jardim reconheceu depois da partida que a mudança de comportamento da torcida foi fundamental justamente no momento mais delicado. O treinador resumiu a transformação dizendo que, quando Jorginho deixou o gramado, “entrou a torcida do Flamengo”, classificando a participação dos rubro-negros como fantástica. Com dez jogadores, a equipe conseguiu se organizar defensivamente, igualar as ações e resistir à pressão do Del Valle. O técnico também admitiu que a atuação esteve abaixo do nível habitual e deixou um alerta para a sequência da competição: a vantagem técnica ou o favoritismo atribuído ao Flamengo não substituem aquilo que precisa ser produzido durante os 90 minutos. A noite serviu, portanto, tanto como celebração pela vaga quanto como aviso para um time que chegou perigosamente perto de transformar conforto em desespero.
A classificação leva o Flamengo à sua quinta semifinal de Libertadores nas últimas oito temporadas e à oitava de sua história. O adversário será o Estudiantes, da Argentina, que eliminou o Corinthians nas quartas de final. O Rubro-Negro também ultrapassou a marca de R$ 40 milhões em premiações acumuladas nesta edição do torneio, com aproximadamente R$ 12 milhões acrescentados pela vaga. Mas os números não contam completamente a história de uma noite em que a classificação veio acompanhada de um recado. O Flamengo deixou o Maracanã entre os quatro melhores da América, porém consciente de que precisará apresentar mais futebol para continuar sonhando com o pentacampeonato. Contra o Del Valle, quando a técnica faltou, a vantagem conquistada em Quito segurou a porta, Arrascaeta encontrou a chave, e a torcida tratou de empurrá-la: o Flamengo não brilhou, mas o Maracanã fez questão de não deixá-lo apagar.