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Entre ruínas e vidas: Prédio desaba e aprofunda tragédia em Gaza

16/09/2026 • 20:35 • Por Leo Pinheiro

Equipes da Defesa Civil palestina, voluntários e moradores correram para o local e iniciaram uma operação de busca por pessoas soterradas

Foto: Reprodução/CNN Brasil

Edifício já danificado durante a guerra desmorona na Cidade de Gaza e deixa ao menos 21 mortos, incluindo 11 crianças, em mais um episódio da crise habitacional no território palestino

Em Gaza, paredes que deveriam proteger famílias passaram a esconder um perigo tão silencioso quanto devastador. Um prédio residencial de seis andares desabou durante a madrugada desta quarta-feira, 16, na região de Tal al-Hawa, na Cidade de Gaza, surpreendendo dezenas de moradores enquanto dormiam. Ao menos 21 palestinos morreram na tragédia, entre eles 11 crianças e cinco mulheres, e outras 14 pessoas ficaram feridas. O imóvel abrigava famílias deslocadas pelo conflito e já havia sido seriamente atingido durante ataques israelenses anteriores, acumulando danos que comprometeram sua estrutura. O colapso ocorreu repentinamente, transformando em poucos instantes apartamentos e áreas utilizadas como abrigo em uma grande massa de concreto retorcido. O episódio acrescenta uma nova dimensão à crise humanitária enfrentada pela população local: mesmo longe de confrontos diretos, milhares de pessoas continuam expostas às consequências físicas da destruição deixada pela guerra. 

O edifício possuía quatro apartamentos por andar e, ao desabar, atingiu também casas e tendas montadas nas proximidades, aumentando o alcance da tragédia. Equipes da Defesa Civil palestina, voluntários e moradores correram para o local e iniciaram uma operação de busca por pessoas soterradas, enfrentando dificuldades provocadas pela quantidade de entulho e pela falta de equipamentos adequados. Em vários pontos, homens removeram blocos de concreto e pedaços da construção com as próprias mãos enquanto tentavam localizar sobreviventes. Escavadeiras foram empregadas nas áreas onde havia condições de acesso, mas o trabalho avançava lentamente diante da instabilidade dos destroços. Familiares acompanharam as buscas à espera de notícias de parentes desaparecidos, enquanto feridos eram retirados e encaminhados para atendimento. A situação evidenciou também as limitações enfrentadas pelas equipes de emergência em um território onde veículos, máquinas e infraestrutura de resgate foram severamente afetados ao longo dos últimos anos. 

Abrigo sem segurança

A queda do prédio expõe um problema que se tornou parte da rotina de milhares de palestinos: a necessidade de escolher entre permanecer sem teto ou viver dentro de construções que já não oferecem condições mínimas de segurança. Com bairros inteiros destruídos ou parcialmente arrasados, famílias deslocadas passaram a ocupar prédios atingidos, imóveis abandonados, tendas improvisadas e estruturas que não foram submetidas a qualquer avaliação técnica. Integrantes da Defesa Civil local alertam que muitas dessas edificações apresentam rachaduras, danos em pilares e outros sinais de comprometimento, mas continuam habitadas porque seus moradores simplesmente não encontram outra alternativa. Cerca de 2 milhões de pessoas permanecem concentradas em uma parcela reduzida do território da Faixa de Gaza, enquanto uma reconstrução ampla segue sem avançar. Além da falta de moradias, a população convive com limitações no fornecimento de serviços básicos e com enormes dificuldades para recuperar bairros destruídos. Israel, por sua vez, sustenta que não permitirá uma reconstrução em larga escala enquanto o Hamas não se desarmar, condição que mantém o futuro da recuperação do território ligado às negociações políticas e de segurança.

O desabamento em Tal al-Hawa ocorre, portanto, em um cenário no qual os efeitos do conflito continuam presentes mesmo depois da redução da intensidade dos combates. Equipes de emergência ainda trabalham na retirada de corpos de construções destruídas anteriormente e enfrentam obstáculos como escassez de máquinas pesadas, combustível e materiais necessários para operações de busca. O cessar-fogo firmado em outubro de 2025 diminuiu os confrontos, mas não eliminou completamente episódios de violência nem resolveu o enorme passivo humanitário deixado pela guerra. Entre prédios comprometidos, bairros parcialmente destruídos e milhares de famílias sem moradia permanente, cresce também o temor de novos desabamentos. Em Tal al-Hawa, enquanto os trabalhos prosseguem entre toneladas de concreto, a tragédia deixa uma imagem que resume parte do drama vivido em Gaza: para muitos moradores, encontrar um teto deixou de significar encontrar segurança. O desafio agora não se limita a reconstruir edifícios, mas a criar condições para que famílias deslocadas possam deixar estruturas condenadas e voltar a viver em locais onde uma parede não represente, por si só, uma ameaça.

Leo Pinheiro