Notícia Todo Dia NTD
Bem-estar & Saúde

Onde o cuidado floresce: Jardim transforma rotina hospitalar em espaço de acolhimento

16/09/2026 • 20:07 • Por Graça Duarte

A técnica de enfermagem Adriana Martins, que atua no Pronto Atendimento, percebeu como o ambiente hospitalar afetava emocionalmente pacientes, acompanhantes e profissionais

Foto: Divulgação

Iniciativa no HC III e IV transforma área pouco aproveitada em refúgio verde para pacientes, acompanhantes e profissionais e mostra como a humanização pode ir além dos procedimentos clínicos

Entre corredores, consultas e a apreensão que costuma acompanhar a rotina de uma unidade de saúde, um pedaço de verde passou a oferecer alguns minutos de pausa para quem enfrenta dias difíceis. No HC III e IV, um terreno antes pouco aproveitado ganhou flores, árvores, pássaros e espaços de convivência e se transformou em um jardim terapêutico, mostrando que o cuidado também pode acontecer fora dos consultórios. A iniciativa nasceu da observação da técnica de enfermagem Adriana Martins, que atua no Pronto Atendimento e percebeu como o ambiente hospitalar afetava emocionalmente pacientes, acompanhantes e até profissionais. A partir desse olhar para as pequenas necessidades do cotidiano, ela enxergou nas áreas subutilizadas a possibilidade de criar um espaço de acolhimento capaz de aliviar, ainda que por alguns momentos, a ansiedade e o estresse provocados pelo tratamento e pela permanência no hospital.

Para transformar a ideia em realidade, Adriana buscou formação em paisagismo e jardinagem e mobilizou uma rede de colaboração que envolveu colegas, chefia, estudantes e professores do Senac, além de parceiros externos. Iniciado em 2021, o projeto foi crescendo e modificando a paisagem da unidade. O espaço vazio passou a receber espécies ornamentais, flores e árvores, ganhou um viveiro destinado à recuperação de mudas, nova rampa de acesso e áreas planejadas para convivência e contemplação. “Quando a pessoa vai para o jardim, ela esquece por alguns instantes que está em um hospital. É como se estivesse em uma praça. As plantas atraem pássaros e pequenos animais e renovam o cenário. Isso faz diferença para quem está passando por um momento difícil”, explica Adriana. A transformação chegou também à fachada, onde Andrey Sanches e seus alunos criaram um grande painel colorido, acrescentando arte ao projeto de tornar o ambiente mais acolhedor desde a chegada. 

Um respiro entre os cuidados

Mais do que uma intervenção paisagística, o jardim integra uma visão de humanização que considera a experiência de quem circula pelo hospital. Em ambientes marcados por diagnósticos, tratamentos e incertezas, elementos como natureza, arte, acessibilidade e espaços de convivência podem ajudar a tornar a permanência menos impessoal. A proposta parte de uma ideia simples: cuidar da saúde não se resume aos procedimentos clínicos, mas envolve também atenção às necessidades emocionais e sociais de pacientes e acompanhantes. O projeto continua em expansão e prevê a implantação de um jardim sensorial, um deck de contemplação e a revitalização de outras áreas verdes, ampliando as possibilidades de contato com a natureza e criando novos espaços destinados a momentos de descanso e tranquilidade.

A continuidade das ações conta ainda com doações formalizadas por meio do INCAvoluntário, que ajudam a viabilizar as melhorias e o crescimento do projeto. A experiência mostra como uma iniciativa surgida da observação cotidiana de uma profissional pode mobilizar diferentes pessoas e transformar um espaço antes sem função em parte da experiência de acolhimento de uma unidade de saúde. Em meio à tecnologia, aos medicamentos e aos protocolos indispensáveis ao tratamento, o jardim acrescenta algo que não cabe em uma prescrição: a possibilidade de respirar, observar uma planta, ouvir um pássaro ou simplesmente permanecer alguns minutos longe da sensação de estar entre paredes hospitalares. Onde muitas vezes predominam preocupação e incerteza, a humanização encontra terreno para mostrar que o cuidado também pode florescer.

Graça Duarte