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Júlia volta à cena: Exposição resgata fenômeno literário carioca

18/09/2026 • 08:49 • Por Felipe Masid

Fotografias, publicações e objetos pessoais ajudam a reconstruir uma trajetória que atravessou literatura, imprensa e ativismo social entre as últimas décadas do século XIX e o início do XX

Foto: Divulgação

Mostra da Semana de Arte do Rio reúne fotografias, publicações e objetos pessoais de Júlia Lopes de Almeida e percorre Centro, Santa Teresa e Tijuca com entrada gratuita

Mais de nove décadas depois de sua morte, Júlia Lopes de Almeida (1862–1934) volta a ocupar a cena cultural da cidade onde construiu parte fundamental de sua história. Cronista, teatróloga, romancista, abolicionista e uma das mulheres envolvidas na fundação da Academia Brasileira de Letras, a escritora é homenageada pela exposição “Júlia Lopes de Almeida: Um Fenômeno Literário na Cena Carioca”, que integra a primeira edição da Semana de Arte do Rio. Com curadoria de Beth Araújo, a mostra será aberta oficialmente no dia 24 de setembro, às 10h00, no Real Gabinete Português de Leitura, no Centro, onde permanece para visitação pública até 8 de outubro, com entrada franca. Fotografias, publicações e objetos pessoais ajudam a reconstruir uma trajetória que atravessou literatura, imprensa e ativismo social entre as últimas décadas do século XIX e o início do XX, revelando uma autora que transformou a palavra escrita também em instrumento de participação nos debates de seu tempo. 

Preservado pelos netos Cláudio e Fernanda Lopes de Almeida, o acervo apresentado ao público ajuda a dimensionar tanto a produção artística quanto a atuação social da escritora, defensora da República, do abolicionismo e dos direitos das mulheres. A exposição está organizada em três núcleos — “Família Almeida”, “Cena Carioca” e “Feminismo e Luta Social” — e contará com acessibilidade por meio de intérprete de Libras. A programação de abertura inclui performance artística, mesas de conversa e cerimônia de premiação. Entre os encontros previstos estão uma mesa com Anna Faedrich, Gilberto Araújo e Gabrielle Mondego e outra dedicada ao diálogo entre João do Rio e Júlia Lopes, com Giovanna Dealtry, Anna Faedrich e participação prevista de João Carlos Rodrigues. Ao todo, nove atividades paralelas acompanham o projeto, incluindo conversas com pesquisadoras, performances poéticas, leituras dramatizadas e ações de formação de leitores.

Literatura que percorre a cidade

Depois de deixar o Real Gabinete, a história de Júlia continuará viajando pelo Rio. Em 13 de outubro, a exposição chega à Biblioteca Municipal José de Alencar, em Santa Teresa, onde a inauguração será acompanhada por uma leitura dramatizada de trechos de suas obras. A visitação seguirá até 28 de outubro e, no dia 21, o espaço receberá a ação educativa BiblioBolsas, atividade pedagógica e interativa voltada à formação de leitores. A terceira parada será a Biblioteca Municipal Marques Rebelo, na Tijuca, a partir de 30 de outubro, também com leitura dramatizada na abertura. A mostra poderá ser visitada no local de 31 de outubro a 11 de novembro, e uma nova edição da BiblioBolsas será realizada em 6 de novembro. O percurso itinerante aproxima a obra da escritora de diferentes territórios da cidade e transforma bibliotecas em pontos de encontro entre memória, literatura e novas gerações de leitores.

A homenagem faz parte da Semana de Arte do Rio, realizada entre 16 e 27 de setembro e concebida como uma programação integrada de festivais, exposições, intervenções urbanas e outras atividades culturais em espaços públicos e privados, especialmente na região central. Durante 12 dias, museus, teatros, galerias, centros culturais e equipamentos públicos recebem projetos de diferentes linguagens, conectando iniciativas já consolidadas a produções mais recentes. A proposta é articular cultura, turismo, desenvolvimento econômico e urbanismo, estimular a circulação de artistas e públicos e valorizar o patrimônio material e imaterial carioca. Nesse mapa cultural, recuperar Júlia Lopes de Almeida significa também devolver visibilidade a uma mulher que participou intensamente dos debates literários e sociais de seu tempo. A exposição faz justamente esse movimento: tira a escritora das páginas da história para colocá-la novamente em circulação pelas ruas, bibliotecas e espaços culturais do Rio.

Felipe Masid