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Criolice tempera 16 anos de história com samba e feijoada grátis em Madureira

16/09/2026 • 05:44 • Por Waleria de Carvalho

O encontro entre diferentes gerações reforça uma das marcas do Criolice desde sua criação

Foto: Divulgação

Edição comemorativa neste sábado terá dois tempos de roda de samba, empreendedorismo negro, debate sobre ancestralidade e programação gratuita no Centro Cultural Tia Doca

Dezesseis anos de história pedem festa — e, em Madureira, ela vem temperada com samba, feijoada e ancestralidade. O Projeto Criolice comemora seu aniversário neste sábado, 19, em novo endereço, no Centro Cultural Tia Doca, mantendo os pés fincados em um dos territórios mais simbólicos da cultura negra e do samba carioca. A programação começa às 13h00, com atividades culturais, feira de empreendedorismo negro e roda de conversa. A tradicional feijoada será distribuída gratuitamente até as 15h00, enquanto a entrada terá cortesia para todos os públicos até as 17h00, mediante disponibilidade pela Sympla. Para marcar a data, a edição ganha ainda uma novidade: dois tempos de roda de samba, comandados por grupos diferentes, ampliando a celebração dos 16 anos do projeto.

Antes de o samba tomar conta do espaço, o público poderá circular por uma feira dedicada ao empreendedorismo negro, com expositores de diferentes segmentos, do artesanato à gastronomia e forte participação de mulheres empreendedoras. A programação também abre espaço para reflexão com a roda de conversa “Tia Doca da Portela: Ancestralidade, samba, memória e resistência das mulheres negras”, reunindo Rogério Família, Jonathan Raymundo e Dandara Barbosa, do Wakanda In Madureira, além de Jana Guinond, Déborah Medeiros e Aline Monteiro. A proposta é transformar a comemoração em um encontro que vá além da música, conectando memória, identidade, geração de renda e o protagonismo negro na construção cultural dos subúrbios cariocas.

Samba com memória

Quando os instrumentos entrarem em cena, a história do samba também estará no repertório. A roda prestará homenagem a nomes fundamentais do gênero, como Candeia, Ney Lopes, Monarco, Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho e Dona Ivone Lara, ao mesmo tempo em que abrirá espaço para composições da atualidade. O encontro entre diferentes gerações reforça uma das marcas do Criolice desde sua criação: preservar a memória sem transformar a tradição em peça de museu. A celebração pretende mostrar uma cultura que permanece viva, se renova e continua encontrando no samba um espaço de convivência, resistência e afirmação da identidade negra. 

Criado por Rose Maciel, Leandro Braz e Dayvson Gomes, o Criolice nasceu no Ponto Chic, em Padre Miguel, na Zona Oeste do Rio, e cresceu até ganhar novas dimensões e deixar as apresentações realizadas na rua. A aproximação com frequentadores ligados à administração do Parque Madureira abriu posteriormente as portas para a chegada do projeto ao bairro, onde consolidou sua relação com um dos principais redutos do samba carioca. Agora, aos 16 anos, o Criolice muda novamente de endereço sem deixar Madureira e transforma o aniversário em uma celebração coletiva. O evento acontece no Centro Cultural Tia Doca, na Rua João Vicente, 219, com classificação livre e ingressos e cortesias disponibilizados pela Sympla. Entre pratos de feijoada, batuques e histórias de resistência, o projeto comemora o passado olhando para o futuro; porque, no Criolice, 16 anos de estrada ainda dão muito samba.

Waleria de Carvalho