Nova rodada do LIIPE-RJ reúne diferentes setores da sociedade para mapear vulnerabilidades, antecipar riscos e transformar conhecimento em decisões capazes de proteger serviços essenciais
Uma cidade pode parar muito antes de suas ruas ficarem vazias. Basta faltar energia, interromper o abastecimento de água, comprometer as telecomunicações ou atingir sistemas tecnológicos para que uma falha aparentemente isolada provoque um efeito dominó sobre serviços, empresas e milhões de pessoas. É justamente esse cenário que colocou as infraestruturas críticas no centro da segunda audiência da sociedade promovida pelo Laboratório de Inovação em Inteligência Pública Estratégica (LIIPE-RJ), iniciativa do Gabinete de Segurança Institucional do Estado (GSI-RJ). Iniciada na segunda-feira,14, a rodada prossegue nesta terça-feira, reunindo diferentes setores em torno de uma pergunta estratégica: como preparar o Rio de Janeiro para identificar ameaças antes que vulnerabilidades se transformem em crises?
A discussão vai além da proteção de instalações físicas e alcança a capacidade de o Estado continuar funcionando diante de situações adversas. Energia, abastecimento de água, transportes, telecomunicações, tecnologia, logística e outros serviços essenciais formam uma rede cada vez mais interdependente, na qual problemas localizados podem produzir consequências em cadeia. Nesse contexto, o LIIPE-RJ busca aproximar poder público, especialistas e diferentes segmentos da sociedade para identificar fragilidades, compartilhar experiências e produzir conhecimento que possa orientar políticas públicas. A lógica é substituir uma atuação exclusivamente reativa por uma visão preventiva, capaz de antecipar cenários, avaliar riscos e aumentar a resiliência das estruturas fundamentais para o funcionamento do Estado.
Da informação à decisão
A construção dessa metodologia reúne profissionais de diferentes áreas, entre eles o Dr. Riley Rodrigues de Oliveira, especialista em Inteligência Estratégica, Políticas Públicas e Gestão Administrativa e Orçamentária. Integrante da Comissão Técnica de Estruturação e Implantação do laboratório, ele participa do desenvolvimento de um modelo que pretende transformar a escuta da sociedade em dados e, posteriormente, converter essas informações em inteligência estratégica. O objetivo é oferecer ao poder público elementos mais sólidos para compreender problemas complexos, estabelecer prioridades e tomar decisões fundamentadas, aproximando o planejamento estatal das vulnerabilidades identificadas por quem conhece diferentes setores da realidade fluminense.
Também participa da estruturação do projeto o Dr. Walkir Alexandre Toscano de Brito, especialista em Metodologias de Inovação Pública, reforçando o caráter multidisciplinar da iniciativa. Ao escolher as infraestruturas críticas como tema desta segunda rodada, o LIIPE-RJ coloca em discussão não apenas como o Rio deve responder a uma emergência, mas principalmente como pode se preparar antes que ela aconteça. Em um cenário no qual riscos tecnológicos, operacionais, ambientais e de segurança estão cada vez mais conectados, proteger serviços essenciais exige planejamento, integração institucional, inovação e inteligência. No tabuleiro estratégico do Estado, a principal defesa pode começar justamente antes da crise: conhecer as vulnerabilidades, antecipar movimentos e transformar informação em decisão.