Atacante marca de cabeça nos minutos finais, Flamengo vence o Corinthians por 2 a 1 no Maracanã e reassume a ponta do Brasileirão, um ponto à frente do Palmeiras
Quando a liderança parecia escapar por entre os dedos, Bruno Henrique subiu mais alto e colocou o Flamengo novamente no topo do Brasil. Em um Maracanã com mais de 70 mil torcedores, o Rubro-Negro venceu o Corinthians por 2 a 1, neste domingo, 13, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro, em um daqueles jogos nos quais o roteiro parece guardar a principal emoção para os minutos finais. Lucas Paquetá abriu o placar logo no início do segundo tempo, Gui Negão empatou aos 32 e, quando o resultado parecia caminhar para uma igualdade frustrante diante de um adversário que entrou em campo bastante modificado, Bruno Henrique apareceu aos 44 minutos. Após cruzamento de Freitas, o atacante acertou uma cabeçada precisa e transformou a tensão das arquibancadas em festa. A vitória levou o Flamengo aos 57 pontos, permitindo ao time ultrapassar novamente o Palmeiras, que havia assumido provisoriamente a primeira colocação.
O sofrimento no fim contrastou com o que havia acontecido durante boa parte da partida. Desde os primeiros minutos, o Flamengo controlou a posse, instalou-se no campo ofensivo e pressionou um Corinthians que iniciou o confronto com uma formação alternativa. Hugo Souza, ex-goleiro rubro-negro, apareceu com defesas importantes e ajudou a segurar o 0 a 0 até o fim do primeiro tempo, quando o corinthians tinha sofrido 18 finalizações e chutado apenas uma bola contra o gol de Rossi. Mas bastaram dois minutos da etapa final para Lucas Paquetá abrir o placar justamente na estreia de um número carregado de história no Flamengo. Com a saída de Everton Cebolinha para o Santos, o meia deixou a camisa 20, que usava desde seu retorno ao clube, e reassumiu a 11, número que já havia vestido nas categorias de base e em sua primeira passagem pelo profissional. A camisa também atravessa diferentes gerações da dinastia de craques rubro-negros, e já esteve com nomes como Zagallo, Júlio César Uri Gheller, o campeão mundial Lico, e Romário. Paquetá, portanto, não poderia ter escolhido maneira melhor de iniciar esse novo capítulo: vestiu a 11 e marcou o gol que parecia encaminhar uma vitória tranquila. O Corinthians, porém, reagiu e, em uma de suas raras chegadas, empatou com Gui Negão, devolvendo a tensão ao Maracanã.
Cabeçada de líder
O 1 a 1 mudou completamente o clima da partida. O Flamengo, que havia passado quase todo o jogo atacando, viu o relógio transformar domínio em ansiedade e o empate ameaçar custar a liderança justamente em uma rodada na qual o Palmeiras havia feito sua parte. Foi então que Leonardo Jardim buscou alternativas no banco, e duas delas acabaram diretamente envolvidas no lance decisivo. Freitas cruzou para a área e Bruno Henrique, com o tempo de impulsão que se tornou uma de suas marcas, cabeceou para o fundo da rede, fazendo o estádio explodir nos minutos finais. O gol teve um peso que ultrapassou os três pontos: evitou que uma partida amplamente controlada terminasse com gosto de derrota e devolveu ao Flamengo uma liderança que havia mudado de mãos por menos de 24 horas. Os números ajudam a dimensionar a diferença entre as equipes: o Rubro-Negro teve 73% de posse de bola e acumulou oportunidades, enquanto o Corinthians conseguiu acertar apenas uma finalização no gol (justamente aquela que terminou no empate).
A vitória também reforça a disputa particular que Flamengo e Palmeiras travam na parte mais alta da tabela. O time paulista havia colocado pressão sobre os cariocas, que entraram em campo sabendo que precisavam vencer para recuperar imediatamente a primeira posição. A resposta veio, ainda que de maneira muito mais dramática do que o domínio rubro-negro fazia imaginar. Para o Corinthians, a situação é oposta: o clube chegou à quinta derrota consecutiva no Brasileiro e permanece na 13ª colocação. Flamengo e Corinthians agora voltam suas atenções para a Libertadores, mas o resultado deste domingo deixa uma mensagem importante na corrida pelo título nacional. Paquetá estreou uma camisa histórica deixando sua marca, Bruno Henrique apareceu quando o empate parecia inevitável; e o Flamengo mostrou que, mesmo quando a vitória demora a sair, ainda encontra forças para permanecer onde quer estar: na liderança.