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Política

Dark Horse: Filme vira cavalo de batalha contra família Bolsonaro

13/09/2026 • 12:46 • Por Leo Pinheiro

O deputado Mário Frias (PL-SP) reagiu em tom de confronto, e questiona outros patrocínios do Banco Master

Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Mário Frias parte para o ataque, questiona investigação sobre patrocínio do Banco Master e acusa ambiente político de transformar relação privada em munição contra a direita às vésperas de 2026

O filme ainda nem estreou, mas já está incendiando Brasília. “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, deixou de ser apenas um projeto cinematográfico para entrar no centro de uma tempestade política que envolve Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal, Banco Master, emendas parlamentares e a sucessão presidencial de 2026. Um dos principais alvos da Operação Make Up, o deputado Mário Frias (PL-SP) reagiu em tom de confronto e sustenta que patrocínio privado não é crime. Para ele, seria preciso provar contrapartida ou promessa de ato de ofício — e não simplesmente apontar a existência de dinheiro e conexões políticas.

Frias decidiu colocar o dedo na ferida: por que o patrocínio ao filme de Bolsonaro virou suspeita enquanto outros investimentos milionários do Banco Master não recebem, segundo ele, o mesmo tratamento? O deputado citou os R$ 160 milhões destinados ao “Caldeirão do Huck” em 2025, os R$ 300 milhões para o Atlético-MG e o apoio ao 1º Summit Valor Econômico Brasil-USA. A comparação joga gasolina na fogueira e levanta uma questão explosiva: existe um critério objetivo para investigar contratos ou o problema começa quando o dinheiro aparece ligado a um adversário político? Para Frias, a investigação corre o risco de transformar uma disputa eleitoral em caso de polícia.

PF e STF entram no roteiro

A Operação Make Up elevou a temperatura. Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, a operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, tendo Frias entre os alvos. A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas a recursos de emendas parlamentares destinados à produção do filme e possíveis irregularidades na movimentação desses valores. O parlamentar, entretanto, rebate a associação automática entre o patrocínio e a prática criminosa e cobra evidências concretas de corrupção, em vez de ilações produzidas a partir de relações políticas e empresariais.

E é justamente aí que “Dark Horse” ganha contornos de batalha eleitoral. Mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, além dos contatos mantidos por Frias com o empresário, passaram a alimentar a controvérsia. Em uma das mensagens, o deputado escreveu “2026 é nosso” e agradeceu pelo apoio ao filme. Para seus críticos, o conteúdo levanta perguntas; para Frias, a investigação pode estar sendo usada para construir uma narrativa capaz de atingir Bolsonaro e seus aliados. No fim, o longa virou símbolo de uma disputa muito maior: de um lado, investigadores tentando descobrir se houve irregularidades; de outro, a direita denunciando o que considera mais uma ofensiva política contra Bolsonaro justamente quando 2026 começa a dominar o tabuleiro nacional. 

Leo Pinheiro