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Depois das torres, um tiro: O último mistério do 11 de Setembro segue sem resposta

12/09/2026 • 19:01 • Por Leo Pinheiro

O polonês Henryk Siwiak foi assassinado no Brooklyn às 23h42 de 11 de setembro de 2001

Foto: Reprodução NYPD

Polonês Henryk Siwiak foi assassinado no Brooklyn às 23h42 e entrou para a história como vítima do único homicídio registrado em Nova Iorque no dia dos atentados

Nova Iorque já havia vivido um dos dias mais trágicos de sua história quando, a poucos minutos da meia-noite, mais uma morte entrou silenciosamente para a contagem daquele 11 de setembro de 2001. Longe das ruínas fumegantes do World Trade Center, o imigrante polonês Henryk Siwiak, de 46 anos, foi baleado no Brooklyn. Seu óbito foi registrado às 23h42, fazendo dele a última pessoa oficialmente morta na cidade naquele dia. Mas, diferentemente das quase 3 mil vítimas dos atentados terroristas nos Estados Unidos, a morte de Siwiak permanece cercada por uma pergunta que atravessou um quarto de século: quem o matou e por quê?

Pai de dois filhos, Siwiak havia chegado aos Estados Unidos menos de um ano antes, deixando na Polônia a mulher, Ewa, e os filhos Gabriela e Adam. Natural de Cracóvia e ex-inspetor ferroviário, ele buscava trabalho e melhores condições financeiras para ajudar a família. Na noite dos ataques, saiu para trabalhar e acabou chegando a uma região do Brooklyn onde seria encontrado baleado. O crime tornou-se ainda mais singular por ter sido considerado o único homicídio registrado em Nova Iorque em 11 de setembro de 2001, um dia em que praticamente toda a estrutura policial e de emergência da cidade estava mobilizada para responder aos atentados contra as Torres Gêmeas. Nenhum suspeito foi preso e jamais se chegou a uma motivação definitiva para o assassinato.

Um crime na sombra da tragédia

O próprio caos provocado pelos atentados pode ter contribuído para que o mistério nunca fosse esclarecido. Com policiais, investigadores e equipes de emergência concentrados em Manhattan, a morte de Siwiak recebeu recursos limitados nas primeiras horas, justamente o período considerado mais importante para uma investigação criminal. A ausência de testemunhas também dificultou o trabalho. Uma das hipóteses levantadas foi a de tentativa de roubo, embora a carteira da vítima tenha permanecido em seu bolso, com dinheiro. Outra possibilidade considerada ao longo dos anos é ainda mais diretamente relacionada ao clima daquele 11 de Setembro: usando roupas de estilo militar e falando inglês com forte sotaque estrangeiro, o polonês poderia ter sido confundido com um terrorista e atacado em meio à tensão que dominava a cidade. Nenhuma dessas versões, porém, foi comprovada.

Vinte e cinco anos depois, o nome de Henryk Siwiak permanece ligado a uma espécie de nota de rodapé sombria daquele dia histórico. O Departamento de Polícia de Nova Iorque mantém o homicídio classificado como um caso em aberto, e antigos investigadores já defenderam que novas tecnologias sejam empregadas na tentativa de encontrar pistas que não puderam ser exploradas em 2001. Enquanto os atentados contra o World Trade Center deixaram imagens, responsáveis identificados e uma investigação que mobilizou governos e serviços de inteligência ao redor do planeta, a última morte registrada em Nova Iorque naquele 11 de Setembro continua sem autor conhecido. Entre milhares de histórias daquele dia, a de Siwiak carrega um paradoxo cruel: ele morreu justamente na data mais investigada da história recente americana, mas seu próprio assassinato continua sendo um mistério.

Leo Pinheiro