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Economia

Greve dá nó no pacote e põe R$ 700 milhões do socorro aos Correios em risco

12/09/2026 • 09:50 • Por Felipe Masid

Agência localizada no shopping Uptown da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro

Foto: Divulgação

Paralisação trava negociação sobre plano de saúde e ameaça uma das principais economias previstas na reestruturação da estatal a partir de 2027

O pacote de socorro aos Correios mal começou a ser desembrulhado e uma de suas principais economias já corre o risco de ficar pelo caminho. A greve nacional dos funcionários, iniciada nesta sexta-feira, 11, atingiu diretamente a estratégia da estatal de reduzir em R$ 700 milhões por ano, a partir de 2027, os gastos relacionados ao plano de saúde dos trabalhadores. O problema está no relógio: a reformulação do benefício depende de um acordo com a categoria justamente no momento em que o tema se tornou um dos principais motivos para a paralisação. 

A proposta dos Correios prevê a criação de um grupo responsável por estudar alternativas ao atual modelo de assistência à saúde, com prazo de até 120 dias para apresentar uma conclusão. A contagem, porém, só começa depois da assinatura do acordo coletivo. Os trabalhadores resistem especialmente à possibilidade de retirada da garantia de que a estatal continuará como mantenedora do plano. Sem entendimento entre as partes, o estudo sequer pode começar. E mesmo que um acordo fosse fechado imediatamente, os quatro meses previstos levariam a conclusão dos trabalhos para janeiro de 2027, comprometendo o calendário originalmente traçado para que a economia começasse a aparecer já no próximo ano. 

Socorro sob pressão

O impasse ganha peso ainda maior diante da situação financeira dos Correios. A estatal acumulou prejuízo de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, enquanto tenta executar um amplo programa de recuperação baseado em redução de despesas, revisão de estruturas e busca de novas fontes de financiamento. A economia de R$ 700 milhões com a assistência à saúde é considerada uma das medidas mais relevantes do plano acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A própria Corte, no entanto, já havia feito uma ressalva: quando a projeção foi analisada, o valor esperado de economia ainda não estava sustentado por estudos atuariais.

Enquanto a negociação trabalhista emperra uma das frentes de redução de custos, cresce também a necessidade de dinheiro novo para manter a estatal de pé. Depois de obter R$ 12 bilhões em empréstimos no fim de 2025, os Correios pediram ao Tesouro Nacional garantia para uma nova operação de R$ 7 bilhões. O TCU já alertou para os riscos fiscais caso haja descumprimento significativo das metas do plano de recuperação e determinou o acompanhamento de sua execução. Com a greve por tempo indeterminado e o plano de saúde no centro da disputa, a paralisação deixa de ser apenas uma questão trabalhista e passa a pressionar diretamente as contas da empresa: quanto mais demorar o acordo, menor será o tempo para transformar a prometida economia de R$ 700 milhões em dinheiro efetivamente poupado.

Felipe Masid