O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição que impacta no desenvolvimento neurológico, afetando a capacidade de comunicação, interação social e causando comportamentos repetitivos ou estereotipados.
Os primeiros sinais do autismo podem ser observados em bebês a partir dos seis meses, tornando-se evidentes entre 18 e 24 meses. Apesar do diagnóstico formal ser feito por médicos, reconhecer os traços precocemente é crucial para melhorar a qualidade de vida e garantir que eles recebam o suporte adequado o mais cedo possível.
“Toda criança com atraso deve ser avaliada. Se este atraso tiver outros sinais de TEA, a abordagem será uma. Senão, será outra. Considerar atrasos como ‘normais’, como quem diz ‘cada criança tem seu tempo’, pode fazer com que alguns percam janelas preciosas de oportunidade para potencializar o desenvolvimento”, pontua Anna Dominguez Bohn, pediatra formada pela Universidade de São Paulo e integrante do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.
Os principais indícios de autismo em bebês
Estar atento aos traços e agir rapidamente pode fazer toda a diferença, aumentando as chances de que a criança tenha um futuro com autonomia. Os mais conhecidos são:
- Pouco ou nenhum contato visual;
- Não responder ao próprio nome;
- Movimentos e comportamentos repetitivos;
- Ausência de balbucios, gestos ou expressões faciais;
- Prefere brincar sozinho;
- Não demonstra interesse por outras crianças ou adultos;
- Apego extremo a objetos e rotinas;
- Atraso significativo na comunicação verbal;
- Hipersensibilidade com sons, luzes ou texturas;
- Podem desenvolver interesses intensos e específicos em certos temas;

“O diagnóstico é clínico, ou seja, baseado na observação do comportamento e no relato dos pais. Não existe exame de sangue ou imagem para detectar o autismo. Geralmente, uma equipe multidisciplinar (pediatra, psicólogo, fonoaudiólogo) avalia se a criança preenche critérios específicos de desenvolvimento”, explica a profissional.
O tratamento
Realizar o acompanhamento correto permite o reconhecimento dos sinais de alerta. Ademais, é importante fazer uma avaliação da criança para encaminhar ao suporte profissional.
O tratamento do autismo não contém uma abordagem única. Cada criança pode precisar de estratégias diferentes. Aqui estão algumas possibilidades:
- Terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada): o procedimento feito sob medida consiste em entender e modificar comportamentos específicos e auxiliar a criança a aprender novas habilidades;
- Fonoaudiologia: ajuda a melhorar a comunicação verbal;
- Terapia ocupacional: foca em desenvolver habilidades para promover independência;
- Musicoterapia: a música auxilia a criança a entender as emoções, melhorando a interação social;
- Atividades físicas: ajuda no desenvolvimento da coordenação motora;
- Outras estratégias de ensino e suporte adicional adaptadas, como o acompanhamento pedagógico.

“O cérebro dos pequenos é como uma ‘esponja’, o que chamamos de neuroplasticidade. Intervir cedo permite criar novas conexões cerebrais, potencializando o desenvolvimento, diminuindo sofrimento e ajudando a criança a aprender formas de se comunicar e se socializar antes que as dificuldades se tornem mais rígidas”, finaliza a pediatra.
25 sinais do autismo em bebês (de 0 a 24 meses)
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