Ana Paula Renault recebeu, neste domingo (19), a notícia da morte de seu pai, Geraldo Renault, aos 96 anos. Confinada no BBB 26, a comunicadora estava em uma situação atípica, sem contato com familiares e há muito tempo sem vê-lo. O acolhimento veio de amigos, como Juliano Floss e Milena, e do apresentador Tadeu Schmidt, que recentemente também enfrentou a perda do irmão, Oscar Schmidt, ícone do basquete brasileiro.
Dentro ou fora de um reality show, atravessar o luto pela morte de alguém importante não é simples. “O inusitado seria nos adaptarmos rápido. Não que existam regras em relação a isso. O tempo é relativo: alguns demoram mais, outros menos, e cada processo é uma experiência individual”, afirma a psicóloga Alessandra Kovac.
Quais são as fases do luto?
Embora cada pessoa vivencie o luto à sua maneira, alguns estudiosos, como a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross, descrevem cinco fases principais:
- Negação: É o primeiro impacto da perda. A pessoa resiste a aceitar o que aconteceu, como um mecanismo de defesa que suaviza a dor.
- Raiva: Com o avanço da consciência da perda, surgem sentimentos de revolta. A dor começa a encontrar um alvo, como outras pessoas, o destino ou até si mesmo, como forma de dar vazão à frustração.
- Barganha: Aqui, predominam tentativas internas de “negociar” a situação. Pensamentos de “e se…” ou “se eu tivesse…” revelam o desejo de reverter ou amenizar a perda, mesmo que simbolicamente.
- Depressão: A tristeza se aprofunda e se torna mais silenciosa. É o momento em que a ausência pesa de forma mais concreta, trazendo um contato mais direto com o sofrimento.
- Aceitação: Não significa ausência de dor, mas a capacidade de conviver com ela. A realidade da perda é reconhecida, e aos poucos a pessoa encontra caminhos para seguir em frente, ressignificando a experiência.
As fases não acontecem necessariamente nessa ordem para todas as pessoas, embora seja o mais comum, porque é possível sentir raiva antes, por exemplo, e depois negação.
Como lidar com o luto
Aceitar o que está sentindo é um bom começo para lidar com o luto, segundo Alessandra. “Quando sufocamos os sentimentos, quase sempre as emoções encontram um escape para voltar posteriormente. Sufocar é apenas adiar ou complicar algo que deveria ser vivido na hora”, alerta. “Não há problema em ficar um tempo com raiva ou tristeza.”
Quando a dor é intensa, também é possível pedir ajuda para sua rede de apoio. Como Ana Paula, no Big Brother Brasil, com seus amigos, esse tipo de apoio é fundamental para conseguir conviver com a dor. “Tendemos a acreditar que precisamos ser fortes e resolver tudo sozinhas, mas ter suporte é imprescindível”, lembra Alessandra.
Por outro lado, na fase de negociação, a psicóloga orienta que pessoas com alguma espiritualidade associem essas questões ao processo.
“Quem tem algum tipo de fé, pode se apoiar nela”, diz ela. “E, claro, é um mito que ateus tendem a sofrer mais. Contudo, eles também precisam mergulhar num processo de autoconhecimento para conseguir seguir adiante enquanto estão por aqui.”
Se sentir culpado por viver seus sonhos, objetivos ou mesmo ficar feliz é comum, mas é importante lembrar que você não está errado por viver isso. “A aceitação não é sinônimo de que não nos importamos. Inclusive, ninguém aceita completamente. Quem afirma isso tem grandes chances de estar voltando para a negação”, explica.
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