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Política

Bateu asa: Ex-chefe da FAB rebate Flávio e nega campanha para Lula

30/08/2026 • 05:41 • Por Leo Pinheiro

Carlos de Almeida Baptista Junior classificou como “leviandade” a acusação do senador e afirmou que não faz campanha para o Presidente

O debate eleitoral ganhou altitude e turbulência depois que o ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, reagiu às declarações de Flávio Bolsonaro (PL). Durante sabatina no Jornal Nacional, o senador e candidato à Presidência afirmou que o militar estaria “pedindo voto” para o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração ocorreu durante uma discussão sobre o papel de Baptista Junior nas investigações envolvendo a tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022. O ex-comandante, porém, rejeitou a acusação e classificou a fala do parlamentar como uma “leviandade”, elevando o tom da disputa em torno dos acontecimentos que antecederam os atos de 8 de janeiro.

Baptista Junior afirmou que não faz campanha para Lula e disse não saber de onde Flávio Bolsonaro teria retirado a conclusão de que ele estaria atuando eleitoralmente em favor do presidente. Para o ex-comandante, a acusação desviou o foco da questão que estava sendo discutida na entrevista: os relatos apresentados por militares sobre as articulações ocorridas depois da derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. O militar também rebateu críticas feitas por aliados de Flávio e afirmou que o senador deveria conhecer melhor os fatos e o conteúdo de seu próximo livro antes de fazer novas acusações. A troca de declarações colocou novamente no centro do debate eleitoral as versões apresentadas por integrantes das Forças Armadas sobre a crise institucional daquele período.

Depoimento em foco

Baptista Junior foi ouvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como testemunha da Procuradoria-Geral da República no processo que investiga a tentativa de golpe. Em seu depoimento, relatou que Jair Bolsonaro discutiu medidas de exceção após a derrota eleitoral e afirmou que o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, teria reagido às propostas e advertido que poderia prender o ex-Presidente caso uma ruptura institucional fosse levada adiante. As declarações transformaram o ex-chefe da FAB em uma das figuras militares mais associadas ao esclarecimento dos bastidores da crise, tornando seus posicionamentos alvo frequente de críticas por parte de aliados do ex-presidente e de seus familiares.

Além de responder diretamente a Flávio Bolsonaro, Baptista Junior também reagiu a manifestações de integrantes do grupo político do senador, entre eles Rogério Marinho (PL), que compartilhou trecho da entrevista para sustentar a tese de que o militar teria uma posição política definida. O ex-comandante voltou a negar que esteja fazendo campanha para Lula e afirmou que seus relatos estão relacionados aos fatos que presenciou e às responsabilidades que exerceu como comandante da FAB. A discussão ocorre às vésperas do lançamento de seu livro, Eu disse não! Uma trincheira antigolpista, previsto para setembro, obra na qual Baptista Junior aborda sua atuação durante o período de tensão institucional e apresenta sua versão sobre os acontecimentos que marcaram a transição entre o governo Bolsonaro e o início do terceiro mandato de Lula.

Leo Pinheiro