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Casarão em São Paulo aposta em acervo pessoal e revela décor clássico com alma

12/04/2026 1 visualizações

Há algo difícil de nomear na casa de Neusinha Saad. Antes mesmo de prestar atenção em qualquer detalhe da decoração, o visitante sente que o espaço tem uma temperatura própria. “Quando você entra, parece que ela te acolhe”, define a moradora. “Você consegue enxergar a casa inteira num olhar.” É esse endereço, em São Paulo, que ela divide com o marido há sete anos.

A influenciadora nasceu em Barretos, no interior paulista, e se mudou ainda jovem para a capital. Desde cedo, demonstrava interesse pelo universo estético: ainda menina, recortava páginas de revistas de moda, montava pastas com referências e observava vitrines nos passeios com o pai. Hoje, esse olhar se reflete tanto na forma como se veste quanto no trabalho como influenciadora de moda e estilo.

Os sofás da casa foram reestofados em veludo, material favorito da moradoraWesley Diego Emes/CLAUDIA

O sobrado em que habita não passou por grandes reformas. Quando o casal chegou, os revestimentos de mármore, os pés-direitos e a luz natural já estavam lá. Neusinha conta que se identificou de imediato.

Claro, houve ajustes ao longo dos anos — cores revisadas, tecidos trocados, peças reposicionadas —, mas a única intervenção significativa foi a reforma da piscina. Além disso, a área externa ganhou um gazebo, construído para ampliar o espaço de convivência.

Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
O lustre Baccarat, as cadeiras Biedermeier e mesa laqueada formam um conjunto de diferentes épocasWesley Diego Emes/CLAUDIA

“Nós trouxemos cada um a nossa história”, explica sobre a dinâmica do casal. Os móveis que chegaram com ela têm décadas: o sofá da sala acumula trinta anos, com o tecido renovado, mas estrutura original. Essa relação com os objetos é uma postura aprendida com o arquiteto e decorador João Mansur, amigo de Neusinha desde a década de 1990.

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Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
A imagem de Nossa Senhora com borboletas é um dos xodós da moradora, e ganhou destaque acima da lareiraWesley Diego Emes/CLAUDIA

“Ele me ensinou a preservar”, diz. Inclusive, a mesa de centro da sala, assinada pelo profissional e xodó da moradora, foi garimpada de uma edição da CASACOR há quase três décadas e tem bases sólidas de acrílico e tampo de cristal: um caso de amor à primeira vista.

Quando fala da casa, o nome de Mansur aparece com frequência como alguém com quem ela discute cada mudança há anos. “Eu sei exatamente o que gosto e o que não quero”, garante, “mas tenho no João alguém que me ajuda a traduzir isso.”

Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
A club chair francesa dos anos 1930 e mesa de centro garimpada reforçam o repertório clássico da sala. Nos detalhes, aparecem elementos como a estante e as ovelhas, que fazem referência às esculturas de carneiro de Claude LalanneWesley Diego Emes/CLAUDIA

Veludo e cor

Os ambientes da casa têm espaço para respirar, mas fogem do minimalismo. O veludo aparece em várias superfícies, como almofadas, sofás e cadeiras. E ela considera o animal print indispensável: “Sou muito francesa na decoração”, explica, referindo-se a uma estética de influência europeia que atravessa toda a casa. As cores foram chegando aos poucos. No início, o marido preferia tudo branco — ela, não.

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Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
O sofá de linhas curvas inspirado nos anos 1940 ganha veludo bordô e dialoga com escultura art décoWesley Diego Emes/CLAUDIA

A solução foi começar com um bege muito claro e ir ajustando com o tempo. A sala de TV ficou azul por alguns anos antes de chegar ao ousado amarelo-gema. Os marrons e verdes de outros cômodos compõem uma paleta que foi se formando por etapas. Na entrada, um baú centenário que pertencia à sogra ocupa lugar de destaque — peça de grande valor afetivo para a família, que ela mesma protege com cuidado no dia a dia.

Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
Inspirada em modelos espanhóis, a escada original ganha elegância com mármore e ferro trabalhadoWesley Diego Emes/CLAUDIA

Já na sala, pinturas e desenhos ilustres, com assinaturas de Di Cavalcanti e Portinari, dividem espaço com objetos trazidos de viagens: um cinzeiro encontrado em Capri, castiçais e louças que foram se somando à sua extensa coleção. “Tudo aqui tem um significado. Tudo, tudo”, enfatiza.

O gazebo rodeado de verde, construído em dois tempos — primeiro, um menor, depois, um maior, para comportar os encontros que a casa sempre atraiu —, é onde boa parte da vida social acontece. É lá também que o casal toma café da manhã todos os dias.

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Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
O verde do gazebo traz um toque de cor à casa e integra o espaço ao jardim. Já as peças têm diferentes origens, do Hotel Glória à oficina inglesa, criando um mix cosmopolitaWesley Diego Emes/CLAUDIA

“Parece que a gente está fora de São Paulo”, diz, enquanto observa a visita de alguns saguis ao jardim. Nos finais de semana, a família se junta em torno da piscina: são três filhas, três enteados e nove netos ao todo, reunindo mais de uma dezena de pessoas à mesa nas noites de pizza, aos domingos.

Celebrar a maturidade

Neusinha cresceu em Barretos sem proximidade com o universo da moda. Filha de pai libanês e mãe mineira de Araxá, veio para São Paulo com 19 anos para se casar. Esse era o horizonte que a família lhe ensinara e com que ela genuinamente sonhava — casar, ter filhos, construir um lar.

Chegou jovem à cidade grande e foi aprendendo no caminho, sem a possibilidade de buscar uma formação longe de casa. Construiu uma vida que ela não troca: as filhas, uma família que se reúne toda semana e uma casa que carrega cada escolha que fez. Hoje, quando olha para a filha mais nova, de 22 anos, cursando medicina, celebra a trajetória diferente da sua com orgulho e entusiasmo.

Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
A tapeçaria tibetana e cadeiras Luís XV de família compõem o quarto com referências históricasWesley Diego Emes/CLAUDIA
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A vida profissional foi montada em etapas. Quando deu à luz a terceira filha, abriu uma loja de moda infantil, aproveitando sua aptidão para o comércio. Depois veio um clube de networking, que girava em torno do que sempre fez bem: receber pessoas e criar conexões. Houve fases melhores e piores — “Já vivi do A ao Z. Já morei em apartamento pequenininho, já morei em casa grande. Mas em qualquer lugar que esteja, gosto do que é belo”.

Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
O biombo chinês dos anos 1920–30 substitui a cabeceira e cria um cenário de inspiração parisiense no quartoWesley Diego Emes/CLAUDIA

Mesmo nas fases mais difíceis, havia uma bandeja bem posta, um arranjo de flores, uma louça escolhida com atenção. Esse cuidado com os detalhes ela estende às visitas: guardanapos estão espalhados por toda a casa, sempre à mão para quem chega. Já as mesas são arrumadas antes de alguém chegar e cada canto é pensado para quem vai se sentar.

Sua entrada nas redes sociais é recente. Há sete meses, Neusinha abriu um perfil no Instagram. Logo na primeira semana, a publicação de uma receita de bolo de pão de queijo, tradição da família mineira, chegou a um milhão e meio de visualizações. Aos 54 anos, com uma vida inteira de referências acumuladas, ela compartilha a rotina, a moda e o autocuidado com uma audiência que se identifica com ela.

Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
Neusinha ao lado de Cordélia, um dos três cachorros que vivem com a famíliaWesley Diego Emes/CLAUDIA
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“A Neusinha de hoje é muito melhor que a Neusinha de 20 anos atrás. Eu tenho mais conteúdo, mais vivência, experiência. Minhas seguidoras também estão nessa fase, então temos muita troca. E eu adoro envelhecer bem”, afirma.

“Não tenho medo da velhice, tenho medo de não acompanhar o mundo, a vida. Todos os dias acordo pensando: ‘O que posso mudar para ser melhor?’.”

Decoração da casa de Neusinha Saad para revista Claudia
Na sala de estar, um lenço do artista gráfico Frank Stella emoldurado traz um toque contemporâneo ao ambiente clássicoWesley Diego Emes/CLAUDIA

Nesse caminho como influenciadora, chegou a desfilar na Semana de Alta-Costura de Paris. A proposta veio da estilista Thayná Soares, da marca de slow fashion Thayná Caiçara, que a convidou para representar sua coleção em uma galeria de arte.

“No fim, queria mais”, relembra sobre o nervosismo inicial. Em seguida, veio um convite da Valentino para estar em Roma. Ela atribui esse ritmo a relações construídas ao longo do tempo. “É admiração. Minha por elas e delas por mim”, resume sobre suas conexões.

Entre viagens e compromissos, é em sua casa, entre rotina e encontros, que tudo se organiza. “Quero que as pessoas se sintam amadas aqui dentro”, diz. Quando a visita termina, fica claro que ali nada é cenário. 

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