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Cissa Guimarães: ‘Sou avó e gosto de namorar, dá para fazer sexo até os 90 anos’

12/04/2026 1 visualizações

As festas dos adultos a fascinavam. Vestida com a camisola da mãe, a menina irrompia entre os convidados para encenar seus monólogos. “Minha mãe queria me matar”, lembra, rindo. Ainda era cedo para nomear, mas sua falta de cerimônia diante do público estava posta.

Décadas depois, com novelas, peças de teatro e programas de TV no currículo, a inquietação de Cissa Guimarães encontraria novas formas no Sem Censura, atração com entrevistas e debates da TV Brasil.

“A vida vai te preparando para cada momento, eu só poderia apresentar o Sem Censura agora, com essa idade. Exercito muito o poder da escuta, coisa que eu não tinha, porque era muito ansiosa e queria falar tudo”, conta.

“Hoje encontrei um equilíbrio entre a fala do outro, o respeito e o ouvir, que são fundamentais num tempo em que todos querem apenas falar de si mesmos.”

Quando topou emprestar seu olhar interessado ao projeto, entrou numa rotina de trabalho diferente do que já havia experimentado.

“Minha vida é esse programa, eu casei com o Sem Censura”, brinca, durante entrevista realizada num sábado, o único dia de folga. São duas horas ao vivo, outras tantas dedicadas à preparação, cinco vezes por semana, com o domingo reservado ao estudo dos convidados. Mas o casamento deu certo. 

As mudanças no formato, somadas à presença de Cissa, resultaram num espaço raro para reflexões densas na televisão e em recordes de audiência também na internet. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o engajamento nas redes sociais do programa cresceu 90% entre 2024 e 2025, com 46,4 milhões de visualizações. Na trajetória da apresentadora, causar mudanças nunca foi exceção.

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A carreira multifacetada de Cissa Guimarães: teatro, novelas e bastidores da TV brasileira

Há quem passe a vida inteira negando as próprias chamas, mas Cissa Guimarães entendeu cedo que só é possível se renovar pelas cinzas.

De jovem rebelde a graduada em química, de atriz a apresentadora, Cissa está habituada a se reinventar. Em mais de 45 anos de televisão, já demonstrou que não há nada que não possa fazer.

Nascida no Rio de Janeiro, é filha da artista plástica Edith Guimarães e do médico Ugo Guimarães. Da mãe, herdou o lado artístico; do pai, o senso de missão. Diretor do Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele levava a filha a hospitais públicos durante a infância.

“Podia ter sido um homem riquíssimo, não foi porque gostava de trabalhar para a saúde pública. Sempre foi convidado para ser ministro e nunca quis. Dizia: ‘Não sou político, sou médico’.”

As memórias com Ugo são recorrentes. Numa delas, fã de Cartola, ele se preocupou com uma pinta no rosto do compositor. “Falou: ‘Pelo amor de Deus, vão ao Morro da Mangueira, me tragam o Cartola. Quero tirar essa pinta, pode ser um câncer’. E a retirou.” Mas eram os pequenos gestos que mais impressionavam. “Meu pai foi o exemplo da minha vida. Me ensinou a ter caráter, a fazer o que acredito, a seguir meu desejo e a trabalhar.”

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Essa disposição para agir conforme as próprias convicções, em uma época em que poucas mulheres eram estimuladas para isso, marcou a adolescência de Cissa.

Aos 15 anos, foi convidada a se retirar do Colégio Sion por participar de uma peça que abordava a ditadura. O espetáculo começava com alunos apontando revólveres para os pais e as freiras, depois Cissa aparecia como uma cigana para ler o futuro do país.

“A gente, com 15 anos, já era muito consciente. Alguns pais não gostaram, os meus adoraram.” Tempos depois, foi chamada de volta, porque era boa aluna.

“Foi uma adolescência embalada nos anos 1980, mas eu era muito danada, talvez um pouquinho à frente do meu tempo. Aprontava, saía, ia a shows, ao Circo Voador, e ainda passava em primeiro lugar na escola.”

Sua coragem para viver o que desejava abriu portas. Cissa entrou na TV Globo como redatora e assistente de produção, após pedir emprego ao diretor Roberto Talma. De lá, migrou para a dramaturgia e ganhou destaque na pele da jornalista Amélia Bicudo, na novela Um Sonho a Mais.

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Talma apostou nela também no embrião do que viria a ser o Vídeo Show, programa que revelava os bastidores da emissora e no qual Cissa se tornaria uma das figuras mais populares ao longo de seus 15 anos na atração.

Lá, recebeu o famoso apelido “a garota que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia”, dado pelo então apresentador Miguel Falabella.

A carreira, porém, não foi só de acertos. “Claro que houve momentos de sucesso, como em O Clone, mas também personagens que não eram tão bons. A vida é assim, a gente vai ficando maduro para aguentar isso.” 

Havia, afinal, filhos para criar. “Sou mãe solo de três, tinha que trabalhar. Não era sempre o momento mais feliz, mas precisava colocar comida em casa, pagar a matrícula da escola. Sou ariana, meto a cara e faço.”

Cissa Guimarães percorreu uma trajetória nada óbviaAgência Flox/Divulgação
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Maternidade, luto e relação com os filhos

A maternidade chegou na vida de Cissa aos 20 anos. “É uma delícia fazer filho, mas dá muito trabalho criar gente”, afirma. “A mulher deve decidir se vai ter ou não, porque o corpo é dela. Mas, se ela decide ter, precisa saber que vai educar essa criança, e que criar gente é uma coisa muito séria.”

A experiência da maternidade trouxe grandes alegrias, mas também desafios. O mais doloroso veio com a morte do filho Rafael Mascarenhas, aos 18 anos. Ele foi atropelado enquanto andava de skate no Túnel Acústico, no Rio, hoje rebatizado com seu nome. O túnel estava fechado para manutenção, mas um carro entrou na contramão em alta velocidade. Mais tarde, viria à tona que policiais foram pagos para adulterar a cena do crime.

“O luto é eterno. A dor vai diminuindo com o tempo, mas ela permanece para sempre dentro de você”, diz Cissa. “O Rafael me ensinou muita coisa, ele me ensinou a amar. Por isso, eu digo que não perdi, eu ganhei. Ganhei a oportunidade de amar essa pessoa incrível. Foram 18 anos de alegria, uma bênção na minha vida”, explica. “O que eu perdi foi o contato físico, a convivência. E essa é a grande dor de uma mãe que vê um filho partir antes dela.”

Há 15 anos, leva semanalmente margaridas brancas ao túnel. A busca por justiça fez com que outras mulheres que passaram por situações parecidas se aproximassem. “Tenho muita empatia quando uma mãe que viveu algo semelhante me conta sua história. A primeira coisa que faço é abraçar e chamar de irmã.”

Mas Cissa não se enxerga como uma referência. “Não me dou toda essa importância. Se, de alguma forma, eu exerço esse papel, fico muito feliz, mas quem me ensinou tudo isso foi o próprio Rafa.”

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Liberdade, relacionamentos e sexo: Como Cissa Guimarães é na vida pessoal

A apresentadora faz questão de declarar que a maior felicidade de sua vida foi quando seus filhos nasceram. Hoje, com eles já criados, diz que a atenção voltou para si mesma. Parte disso inclui a vida amorosa, porque Cissa se define como uma mulher namoradeira.

“Sou avó e gosto de namorar, qual é o problema nisso? Na minha idade, fica mais difícil, mas acho que dá para fazer sexo até os 90 anos”, comenta. “O que eu queria mesmo era um parceiro, alguém para uma boa conversa, para ir ao cinema, almoçar juntos. Acho gostosa a presença de outra pessoa, mas ninguém está namorando ninguém.”

Apesar disso, valoriza a própria companhia. “Uma mulher pode fazer muitas coisas sozinha”, brinca. E Cissa prefere viver com franqueza. “Não tenho medo de falar a verdade. Quando vejo, já falei, já dei minha opinião. Depois penso: ‘Meu Deus, será que eu devia ter ficado quieta?’.”

Com essa originalidade, ela deseja renovar o contrato do Sem Censura, além de voltar ao teatro e às novelas. “Queria muito fazer audiovisual, adoraria voltar nos próximos tempos.” Seja qual for o projeto, é certo que haverá um grande público interessado em assistir. 

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