O diagnóstico de uma doença crônica tem o poder de pausar o mundo ao nosso redor. Mas, para Fabiana Jafif, ele funcionou como uma espécie de despertador. Aos 29 anos, enquanto equilibrava os desafios de ser mãe de primeira viagem e uma carreira no marketing digital, ela recebeu a notícia: esclerose múltipla.
A condição neurológica autoimune trouxe, de imediato, o medo e a incerteza — sentimentos potencializados pelos estigmas que ainda cercam a doença. No entanto, Fabiana decidiu que a esclerose não seria a protagonista de sua história. “Ela me ensinou que eu não podia adiar a minha vida”, reflete.
Da catarse ao propósito
A transformação começou de forma genuína. Poucos meses após o diagnóstico, nasceu o blog De Madre a Madre, um dos pioneiros na Argentina a tratar a maternidade sem filtros. Inicialmente, o espaço era um refúgio para organizar pensamentos sobre carreira e criação de filhos. A esclerose, por ser algo tão íntimo, ficou guardada apenas para si.
A virada de chave veio com a chegada da segunda filha. Fabiana sentiu que era hora de falar publicamente sobre suas escolhas. Ao abrir seu processo, percebeu que sua vulnerabilidade era, na verdade, uma ponte: centenas de mulheres que também conviviam com condições crônicas encontraram nela um espelho.
“Vítima ou protagonista?”
Em meio ao tratamento e à rotina intensa, uma pergunta mudou tudo: “Como eu quero que minhas filhas lembrem de mim no futuro? Como uma vítima das circunstâncias ou como alguém que escolheu viver apesar delas?”.
Essa clareza moldou o que ela chama hoje de produtividade consciente. Para ela, a doença é apenas uma parte da trajetória, não o centro. “Prefiro me dedicar à minha família, à minha profissão e às coisas que posso mudar. Produtividade consciente não é fazer mais, é escolher melhor”, explica.
O convite para o agora
Hoje, como mentora e palestrante, Fabiana ajuda outras mulheres — especialmente mães empreendedoras — a não perderem a própria identidade no caos do dia a dia. Essa filosofia deu origem ao livro No te dejes para después (Não se deixe para depois), um manifesto sobre a urgência do autocuidado e da intenção nas escolhas.
Para ela, a reconstrução dos sonhos é um exercício diário de autonomia. “Você é dona da sua vida. Se você quer que algo faça parte dela, depende de você escolher e colocar isso na agenda”, afirma. Viver com uma condição crônica, afinal, não é sobre desistir de planos, mas sobre reconstruí-los com uma clareza que só quem entende o valor do tempo consegue ter.
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