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Política

Indicado por Lula para diretoria do Postalis vira alvo após ataques a Janja e Haddad

01/08/2026 • 00:14 • Por Redação NTD

Vídeos e publicações antigas do escolhido para o fundo de pensão dos Correios expõem novo constrangimento para o Presidente

Uma indicação que deveria passar despercebida acabou se transformando em mais um problema político para o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O escolhido para assumir a Diretoria de Investimentos do Postalis, fundo de pensão dos funcionários dos Correios, tem um histórico de críticas contundentes ao próprio governo, com ataques direcionados à Primeira-Dama Janja Lula da Silva e ao ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad. As manifestações, publicadas antes da indicação, vieram à tona logo após a aprovação de seu nome, e, claro , provocaram forte repercussão nos bastidores de Brasília, colocando a nomeação sob intensa pressão antes mesmo da palavra final da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).

Rafael Cisne Vasconcelos foi aprovado pelo Postalis para comandar uma das áreas mais estratégicas do fundo, responsável pela gestão de investimentos bilionários. Entretanto, vídeos e mensagens publicados por ele em 2025 ganharam ampla divulgação nas redes sociais e entre integrantes do meio político. Em uma das gravações, o executivo critica os gastos com viagens da primeira-dama e afirma que dinheiro público estaria sendo desperdiçado. Em outras publicações, dispara contra a condução da economia, compara a situação fiscal do país à de uma empresa prestes a quebrar, e ironiza medidas tributárias associadas a Fernando Haddad. O contraste entre o teor das críticas e a indicação para um cargo ligado ao governo ampliou o debate sobre os critérios adotados na escolha. Procurado pela imprensa, Rafael Cisne preferiu não comentar o conteúdo das postagens, afirmando apenas que o processo de seleção ainda não foi concluído. Pouco depois, seu perfil na rede Threads foi retirado do ar.

Escolha sob pressão

Além das publicações polêmicas, o próprio processo de seleção passou a ser questionado. Rafael Cisne não fazia parte da lista inicial de candidatos inscritos dentro do prazo estabelecido. A situação mudou após os Correios decidirem reabrir as inscrições, permitindo sua entrada na disputa. Depois disso, ele participou das entrevistas, foi apontado pela Diretoria Executiva da estatal como o candidato mais bem avaliado e teve a indicação aprovada pelo Conselho Deliberativo do Postalis. A sequência dos acontecimentos levantou questionamentos nos bastidores sobre a condução do processo e aumentou a pressão sobre a Previc, órgão responsável por dar a palavra final sobre a nomeação para um dos cargos mais relevantes da estrutura do fundo de pensão.

Em nota, o Postalis afirmou que todo o processo foi conduzido com base em critérios técnicos, observando as regras da previdência complementar e os princípios de governança. O fundo ressaltou que posicionamentos políticos ou ideológicos dos candidatos não são considerados fatores de impedimento, desde que o exercício da função respeite a legislação e os deveres da administração pública. Os Correios também defenderam a lisura da seleção e afirmaram que a escolha decorreu da análise de currículos, entrevistas e requisitos técnicos. Ainda assim, a revelação das críticas feitas pelo indicado alimentou novas dúvidas sobre a conveniência política da nomeação e abriu mais uma frente de desgaste para o Presidente Lula, que agora vê uma indicação estratégica ser marcada pela repercussão de declarações feitas nas redes sociais.