Ministério Público e família da vítima recorrem da decisão e pedem novo julgamento do caso
As imagens gravadas pelas câmeras corporais dos próprios policiais chocaram o país ao mostrarem um jovem desarmado e rendido instantes antes dos disparos. Ainda assim, após três dias de julgamento, o Tribunal do Júri absolveu os cabos da Polícia Militar Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima, acusados pela morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma operação em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo.
Os dois policiais estavam presos preventivamente havia cerca de um ano no Presídio Militar Romão Gomes e deverão ser colocados em liberdade. Segundo a denúncia do Ministério Público, Igor foi baleado em 10 de julho de 2025 quando já estava rendido, com as mãos sobre a cabeça. Durante o julgamento, a defesa sustentou que não havia provas conclusivas sobre a autoria dos disparos, citando a inconclusão do laudo balístico e alegando legítima defesa, legítima defesa putativa e até absolvição por clemência.
Recurso à Justiça
Embora os jurados tenham reconhecido a participação dos policiais no episódio, a maioria votou favoravelmente ao quesito absolutório, o que levou à absolvição dos réus. A decisão provocou reação imediata da Promotoria e dos advogados da família de Igor, que classificaram o resultado como contrário às provas reunidas ao longo da investigação e já protocolaram recurso para tentar anular o julgamento e levar o caso a um novo júri.
Outros dois policiais militares denunciados pelo Ministério Público por suposta participação no caso ainda responderão à Justiça em processo separado, sem data definida para julgamento. A morte de Igor ganhou ampla repercussão nacional justamente pelas imagens das câmeras corporais, que passaram a integrar as principais provas da acusação e alimentaram o debate sobre o uso da força em operações policiais nas periferias de São Paulo.