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Economia

Comunista pero no mucho: Será que o próximo é o McDonald’s? Cuba abre a economia ao setor privado

29/07/2026 • 21:48 • Por Redação NTD

Regime comunista autoriza empresas privadas a operar farmácias, postos de combustíveis e outros serviços em meio à pior crise econômica em décadas.

Em uma das maiores mudanças econômicas desde a Revolução Cubana de 1959, o governo de Cuba anunciou nesta quarta-feira, 29, a abertura de novos setores da economia para a iniciativa privada. A medida permitirá que empresas atuem em áreas até então controladas exclusivamente pelo Estado, como farmácias, postos de combustíveis, serviços portuários, e instituições de longa permanência para idosos. A decisão faz parte de um amplo pacote de reformas aprovado pelo Parlamento cubano para tentar conter a grave crise econômica que afeta o país, marcada por escassez de alimentos, medicamentos, combustíveis, e sucessivos apagões. 

O novo decreto reduz significativamente a lista de atividades proibidas para empresas privadas e amplia o espaço para pequenos e médios empreendedores. Além dos postos de gasolina e farmácias, passam a ser permitidos investimentos em terminais de passageiros e cargas, instalações portuárias, importação de veículos, projetos de energia renovável, e até operações ligadas aos setores de petróleo e mineração, em determinadas condições. Apesar da abertura, o governo manteve sob controle estatal áreas consideradas estratégicas, como saúde hospitalar, educação, telecomunicações, meios de comunicação, segurança e defesa nacional. Segundo as autoridades, mais de 15 mil pequenas e médias empresas privadas já foram autorizadas desde o início da flexibilização das regras, em 2021, e a expectativa é de uma nova expansão do setor. 

Resposta à crise

A abertura econômica ocorre em um momento de extrema dificuldade para a ilha. Em 2026, Cuba enfrenta uma profunda crise energética agravada pelo endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos e pelas restrições ao fornecimento de petróleo, fatores que provocaram apagões frequentes, desabastecimento de combustíveis, e colapso em diversos serviços públicos. A escassez de água potável, alimentos, e medicamentos aumentou o descontentamento popular e levou a protestos em várias regiões do país. Diante desse cenário, o governo de Miguel Díaz-Canel decidiu acelerar as reformas econômicas para estimular investimentos privados e tentar reaquecer a economia sem abandonar o modelo socialista. 

Embora represente uma flexibilização sem precedentes do modelo econômico cubano, o governo insiste que a iniciativa privada terá limites claros e não substituirá o papel central do Estado nos setores considerados essenciais. Analistas avaliam que a medida simboliza uma mudança pragmática do regime diante da deterioração econômica, mas alertam que o sucesso das reformas dependerá da capacidade de atrair investimentos, ampliar a oferta de bens e reduzir os impactos das sanções internacionais. A expectativa é que as novas regras ajudem a aliviar parte da crise vivida pela população, ao mesmo tempo em que preservem o controle estatal sobre áreas estratégicas para o governo cubano.