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Política

Governo Lula convoca embaixador na Argentina após ataques de Milei a Lula e Moraes

26/07/2026 • 20:34 • Por Redação NTD

Itamaraty reage às declarações do Presidente argentino durante convenção do PL e eleva o tom diplomático

As declarações do Presidente da Argentina, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, ultrapassaram o campo da disputa política e desencadearam uma reação imediata do governo brasileiro. Após o líder argentino atacar o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, o Palácio do Planalto decidiu convocar o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para consultas em Brasília. A medida, considerada uma das mais duras da diplomacia antes de um rompimento formal de relações, evidencia o agravamento da tensão entre os dois países e sinaliza a insatisfação oficial do governo brasileiro com a postura adotada por Milei em território nacional.

Durante o discurso no evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, Milei voltou a fazer duras críticas aos governos de esquerda na América Latina, chamou Lula de “presidiário”, dirigiu ofensas ao ministro Alexandre de Moraes, e manifestou apoio explícito ao senador na corrida eleitoral de 2026. O Presidente argentino também reclamou de não ter conseguido autorização para visitar o ex-Presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e afirmou que o Brasil precisa de uma mudança política semelhante à promovida por ele na Argentina. Diante da repercussão das declarações, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, consultou Lula antes de anunciar a convocação do embaixador brasileiro, classificando o episódio como incompatível com as normas que regem as relações diplomáticas entre países soberanos.

Crise diplomática

Na prática, a convocação de um embaixador para consultas representa um forte gesto de protesto, e costuma ser adotada quando um governo considera que houve uma grave violação das regras de convivência diplomática. Embora não signifique o rompimento das relações entre Brasil e Argentina, a decisão demonstra que Brasília pretende reavaliar os próximos passos da política externa em relação ao país vizinho. A medida também reforça o entendimento do Itamaraty de que críticas dirigidas diretamente ao chefe de Estado brasileiro e a integrantes do Poder Judiciário extrapolam o debate político, e atingem as instituições nacionais, tornando necessária uma resposta oficial.

O episódio amplia um histórico recente de atritos entre Lula e Milei. Desde que assumiu a Presidência da Argentina, o líder libertário tem adotado uma postura de confronto em relação ao governo brasileiro, marcada por divergências ideológicas e declarações públicas de forte teor político. Apesar de Brasil e Argentina manterem uma intensa parceria comercial e integrarem o Mercosul, o relacionamento entre os dois governos permanece distante e cercado por desconfianças. Com a crise provocada pelo discurso em São Paulo, a expectativa é de que o clima diplomático continue tenso nas próximas semanas, especialmente em meio ao cenário eleitoral brasileiro e ao fortalecimento da aproximação de Milei com lideranças da direita no país.