Abimaq teme prejuízos, perda de competitividade e demprego, enquanto cobra respostas do Presidente e do vice
A ofensiva comercial dos Estados Unidos contra produtos brasileiros já provoca fortes reações dentro da indústria nacional. Diante do novo tarifaço anunciado pelo governo norte-americano, fabricantes de máquinas e equipamentos demonstram preocupação com os efeitos que a medida pode causar sobre exportações, investimentos e empregos. Em vez de defender uma retaliação imediata, o setor pede que o governo brasileiro aposte na negociação diplomática e adote medidas urgentes para proteger as empresas, ampliando o acesso ao crédito e reduzindo os impactos financeiros provocados pelas novas tarifas. A avaliação é de que uma escalada na guerra comercial poderia agravar ainda mais a situação de um segmento considerado estratégico para o crescimento da economia brasileira.
A posição foi apresentada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que participou de reuniões com integrantes da equipe econômica, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e com o Vice-Presidente Geraldo Alckmin. Para a entidade, responder ao tarifaço com novas tarifas sobre produtos norte-americanos pode aumentar as tensões entre os dois países e acabar prejudicando ainda mais a indústria brasileira. Como alternativa, a associação defende a ampliação do programa Brasil Soberano, com linhas de crédito mais robustas, juros competitivos e maior facilidade de financiamento para empresas afetadas. O setor também cobra incentivos para ampliar as exportações, acelerar a abertura de novos mercados internacionais e criar mecanismos capazes de preservar a competitividade da indústria nacional em um cenário global cada vez mais desafiador.
Preocupação com empregos
Além dos prejuízos financeiros, a indústria teme que os efeitos do tarifaço cheguem rapidamente ao mercado de trabalho. Representantes da Abimaq alertam que a perda de competitividade pode reduzir encomendas, desacelerar investimentos e comprometer milhares de empregos diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva. O receio é ainda maior porque o setor vinha apresentando sinais de recuperação, com crescimento de aproximadamente 12% nas exportações ao longo dos últimos 12 meses. A imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos, porém, ameaça frear esse avanço e aumentar a pressão sobre empresas que já enfrentam custos elevados de produção e forte concorrência internacional.
As reivindicações da indústria chegam justamente no momento em que o governo federal discute qual será a resposta oficial ao tarifaço norte-americano. Enquanto a possibilidade de utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica permanece em análise, empresários insistem que o caminho mais seguro é fortalecer a economia brasileira sem ampliar o conflito comercial. A expectativa é que o Palácio do Planalto anuncie nos próximos dias um pacote de medidas para minimizar os impactos sobre os setores mais atingidos, combinando crédito, estímulos às exportações e apoio financeiro às empresas. Para a indústria de máquinas, o momento exige rapidez nas decisões: qualquer demora pode significar perda de mercado, redução da produção, e consequências que podem se estender por toda a economia brasileira.