Presidente afirma que “ninguém é dono da América do Sul” cúpula do bloco em Assunção
Em mais um discurso com recados ao cenário internacional, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer um ataque indireto ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao participar da Cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, Lula declarou que “ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul”, em uma fala interpretada como resposta às recentes posições adotadas por Trump sobre política externa e relações internacionais. O Presidente brasileiro defendeu que os países sul-americanos preservem sua autonomia, fortaleçam a integração regional, e ampliem parcerias comerciais sem submissão aos interesses de grandes potências, afirmando que o Mercosul deve atuar com independência em um cenário global cada vez mais competitivo.
Ao longo do discurso, Lula ressaltou que o fortalecimento do Mercosul passa pela diversificação das relações econômicas e pela ampliação do diálogo com diferentes mercados. Segundo o Presidente, o bloco vem avançando nas negociações comerciais com países como Canadá, Índia e Vietnã, e pretende iniciar, em breve, conversas para um acordo com a China, além de aprofundar as tratativas com o Japão. Para Lula, ampliar o número de parceiros comerciais reduz a dependência econômica, e aumenta a capacidade de crescimento dos países sul-americanos. O Presidente também afirmou que o Mercosul precisa se adaptar às transformações da economia mundial sem abrir mão da soberania de seus integrantes.
Integração regional
Outro destaque da participação brasileira foi o anúncio de que o Brasil ampliará sua contribuição ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). O aporte anual brasileiro passará para US$ 100 milhões na nova etapa do programa, que financia obras de infraestrutura, projetos de desenvolvimento econômico e iniciativas voltadas à redução das desigualdades entre os países do bloco. Lula destacou que o fortalecimento do fundo será importante para acelerar a integração regional e apoiar a participação plena da Bolívia, novo membro efetivo do Mercosul, além de incentivar investimentos capazes de aumentar a competitividade da região.
As declarações de Lula ocorreram em um momento de mudanças no cenário geopolítico e de debates sobre o futuro das relações comerciais internacionais. Sem mencionar Trump nominalmente, o Presidente brasileiro voltou a defender uma política externa baseada no multilateralismo, no diálogo e na autonomia dos países sul-americanos. Para Lula, o Mercosul precisa falar com todos os parceiros estratégicos, ampliar mercados para seus produtos, e fortalecer sua posição nas negociações globais, preservando a independência diplomática e os interesses comuns dos países que integram o bloco.