Projeto oferece consultas, distribuição gratuita de óleo de cannabis medicinal e apoio psicológico para mulheres sobrecarregadas pelos cuidados com filhos neurodivergentes
Em um dos locais mais isolados do país, onde o acesso a tratamentos especializados costuma ser um desafio constante, um projeto voltado para mães e crianças atípicas tem mudado histórias e levado esperança a famílias que convivem diariamente com o autismo, TDAH e outras condições neurológicas. Em Fernando de Noronha, mães que enfrentavam crises de ansiedade, exaustão física e emocional passaram a receber acompanhamento e tratamento à base de canabidiol, enquanto seus filhos também tiveram acesso à terapia com o composto derivado da cannabis.
A iniciativa, chamada Projeto Noronha, é fruto de uma parceria entre a Associação Brasileira de Estudos dos Canabinóides (Abecmed), a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e a administração distrital da ilha. Somente neste ano, foram realizados dois mutirões gratuitos que contabilizaram 126 consultas médicas e a distribuição de 221 frascos de óleo de canabidiol. Segundo os organizadores, o objetivo vai além do tratamento: a proposta é criar uma rede permanente de acolhimento e assistência para famílias que muitas vezes enfrentam sozinhas a rotina de cuidados intensivos.
Apoio para quem cuida
Um dos diferenciais do projeto é o olhar voltado não apenas para as crianças, mas também para as mães. Muitas delas relatam quadros de ansiedade, depressão, insônia e esgotamento emocional provocados pela sobrecarga de serem as principais responsáveis pelos cuidados dos filhos. O programa oferece acompanhamento e suporte psicológico, reconhecendo que a saúde mental dessas mulheres também precisa de atenção. Relatos de participantes apontam melhora na qualidade do sono, redução da ansiedade e mais disposição para enfrentar os desafios do dia a dia após o início do acompanhamento e do tratamento com CBD.
Além dos atendimentos já realizados, o projeto avança para uma nova fase com a criação de uma sede permanente em um terreno cedido pela administração local. O espaço deverá funcionar como centro de acolhimento, orientação e acompanhamento contínuo para famílias neuroatípicas da ilha. A iniciativa surge em um momento em que o debate sobre o acesso a tratamentos com canabidiol ganha força no Brasil, especialmente para pessoas com deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento, ampliando a discussão sobre saúde, inclusão e qualidade de vida para milhares de famílias brasileiras.