Com apenas quatro anos de idade, ao se encantar com uma orquestra que assistia pela TV Cultura, Giovanna Elias reconheceu o que viria a ser sua grande paixão: a música clássica. Mesmo sem muito incentivo da família, a jovem lembra que sua relação com a orquestra foi imediata e visceral.
“A música vem até nós. Ela entra na nossa vida de uma maneira que não dá mais para separar o que é você e o que é ela”, reflete. Apenas na adolescência, com o apoio do avô, passou a participar de corais e aulas técnicas, escolhendo o piano como seu instrumento principal, junto com o canto — que considera essencial para a sua profissão.
Para alcançar o posto de regente, investiu intensamente em estudo, disciplina e na vivência dos bastidores de concertos e ensaios da Orquestra de Câmara da ECA/USP e da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).
Giovanna conta que o comando sempre fez parte de sua trajetória. Ao iniciar as aulas no coral, ela já auxiliava o professor a conduzir a turma, orientando parte dos colegas durante os ensaios. “Na vida, eu sempre fui colocada em situações de liderança, tendia a tomar a frente de tudo, então foi algo natural para mim”, explica.
Da liderança nos corais ao comando de grandes orquestras
Aos 24 anos, além de reger orquestras em diferentes países, a artista também é fundadora da SP Chamber Orchestra, orquestra de câmara criada junto a colegas da faculdade de música da USP que busca abrir espaço para jovens talentos.
Com apresentações marcadas na Europa nos próximos meses, ela deixa um conselho para quem sonha em seguir o mesmo caminho: “Ouça a voz do seu coração. Se é isso que realmente te move, então vá atrás. O verdadeiro talento está na persistência.”
Embora cada vez mais mulheres conquistem espaço como regentes no cenário da música clássica, a jovem reconhece que a invisibilidade do trabalho feminino ainda é uma realidade. Giovanna pondera que, além do machismo, o setor enfrenta desafios que afetam todos os profissionais.
“Percebi que é um meio tão difícil, com tão poucas oportunidades, que está todo mundo na mesma luta”, conclui.
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