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Economia

Desemprego atinge quase um quarto das jovens mulheres negras no Brasil, aponta estudo

06/06/2026 • 12:00 • Por Redação NTD

Levantamento revela que raça, gênero e idade ampliam desigualdades no acesso ao mercado de trabalho no Brasil 

Enquanto os índices gerais de emprego no Brasil apresentam trajetória positiva, e registram sucessivas quedas nas taxas de desemprego, uma realidade bem diferente ainda afeta milhões de brasileiras. Um estudo divulgado nesta semana mostra que as jovens mulheres negras continuam enfrentando enormes dificuldades para ingressar e permanecer no mercado de trabalho. Entre adolescentes negras de 14 a 17 anos, a taxa de desemprego chega a 24,7%, revelando que quase uma em cada quatro jovens que procuram uma ocupação não consegue encontrar uma vaga. Os números expõem um cenário de desigualdade persistente e demonstram que os benefícios da recuperação econômica não são distribuídos de maneira uniforme entre os diversos grupos sociais. O levantamento reforça que fatores como raça, gênero e faixa etária seguem exercendo forte influência sobre as oportunidades de emprego no país.

A pesquisa aponta ainda que as dificuldades permanecem mesmo após a adolescência. Entre mulheres negras de 18 a 24 anos, fase considerada estratégica para a entrada definitiva no mercado de trabalho e para a construção da independência financeira, a taxa de desemprego alcança 16,5%. O percentual é significativamente superior ao observado entre homens brancos da mesma faixa etária, evidenciando a existência de barreiras estruturais que afetam especialmente a juventude negra feminina. Além da dificuldade para conseguir emprego, muitas jovens enfrentam desafios relacionados à qualidade das vagas disponíveis, à informalidade, aos baixos salários e às limitações de acesso à qualificação profissional. O estudo destaca que essas desigualdades acabam produzindo impactos que se estendem por toda a trajetória profissional e econômica dessas mulheres.

Desigualdade persistente

Especialistas ouvidos pelos pesquisadores destacam que políticas públicas implementadas nas últimas décadas, como ações afirmativas e programas de inclusão educacional, contribuíram para ampliar o acesso da população negra ao ensino superior e ao mercado de trabalho. No entanto, os avanços obtidos ainda não foram suficientes para eliminar as diferenças históricas que marcam a sociedade brasileira. Segundo a análise, jovens mulheres negras continuam mais expostas à vulnerabilidade social, à insegurança econômica, e à dificuldade de acesso a oportunidades profissionais de maior qualificação. O estudo ressalta que a desigualdade não se manifesta apenas nos índices de desemprego, mas também na ocupação de cargos de liderança, na remuneração e nas possibilidades de crescimento profissional.

Os pesquisadores defendem que a redução dessas disparidades exige um conjunto amplo de medidas voltadas para a promoção da igualdade de oportunidades. Entre as ações consideradas prioritárias estão a ampliação da oferta de creches públicas, investimentos em educação de qualidade, fortalecimento de programas de permanência escolar e universitária, incentivo à qualificação profissional e adoção de políticas de diversidade no setor privado. Também são apontadas como fundamentais iniciativas voltadas para a inclusão produtiva de jovens residentes em periferias urbanas e regiões mais vulneráveis. Para os especialistas, somente políticas públicas contínuas e articuladas poderão enfrentar os efeitos de séculos de exclusão social e garantir que jovens mulheres negras tenham condições reais de competir em igualdade de condições no mercado de trabalho brasileiro.