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Bem-estar & Saúde

Contaminação por mercúrio ameaça gestantes e bebês munduruku na amazônia

05/06/2026 18:05 Por Redação NTD

Estudo da Fiocruz revela níveis alarmantes do metal pesado em mulheres indígenas e aponta que a maioria dos recém-nascidos já nasce contaminada

Uma grave ameaça silenciosa continua avançando sobre a Terra Indígena Munduruku, no Médio Tapajós, no Pará. Os impactos da contaminação por mercúrio, associada principalmente à atividade garimpeira na região, estão atingindo um dos grupos mais vulneráveis da população: gestantes e bebês. Dados preliminares de um estudo conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam níveis alarmantes do metal pesado no organismo de mulheres indígenas, acendendo um alerta para possíveis consequências irreversíveis à saúde das futuras gerações. 

Segundo a pesquisa, 97% das 195 gestantes acompanhadas apresentaram concentrações de mercúrio acima do limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A média encontrada foi de 9,1 microgramas por grama de cabelo, mais de quatro vezes superior ao nível máximo recomendado. Em um dos casos analisados, a concentração chegou a 39,9 microgramas por grama, índice cerca de 20 vezes superior ao tolerável. Os pesquisadores destacam que a exposição prolongada ao mercúrio pode provocar danos neurológicos, comprometimento do desenvolvimento infantil e outras complicações graves para mães e filhos. 

Herança tóxica

O estudo também acompanha os bebês dessas mulheres e os resultados são igualmente preocupantes. Entre as 134 gestantes que já deram à luz, cerca de 90% dos recém-nascidos apresentaram sinais de contaminação pelo metal. Isso ocorre porque o mercúrio atravessa a placenta durante a gestação, chegando diretamente ao organismo do feto. Pesquisadores relatam o aumento de casos de doenças neurológicas, síndromes raras e anomalias congênitas em comunidades indígenas da região, situações que podem estar relacionadas à exposição contínua ao contaminante. 

Lideranças Munduruku afirmam que a divulgação dos primeiros resultados provocou forte comoção nas aldeias e reforçou denúncias antigas sobre os impactos do garimpo ilegal nos rios amazônicos. O mercúrio é utilizado na extração de ouro e acaba contaminando a água, os peixes e toda a cadeia alimentar das populações ribeirinhas e indígenas. Para especialistas, os números revelam uma crise sanitária e ambiental de grandes proporções, que exige ações urgentes de monitoramento, assistência médica e combate às atividades ilegais responsáveis pela contaminação da região.