Saída de Rafael Thompson ocorre dias após repercussão sobre imóvel alvo de investigação da Polícia Federal e amplia desgaste político em torno do caso
Os desdobramentos da investigação que atingiu o entorno do ex-governador Cláudio Castro ganharam um novo capítulo no Rio de Janeiro. A Prefeitura exonerou Rafael Thompson de Farias, que ocupava cargo de presidente da empresa municipal Rioluz, e é irmão do advogado Mauro Farias, ex-secretário estadual de Transformação Digital, e apontado como controlador da empresa proprietária da cobertura onde Castro passou a morar recentemente. A decisão foi publicada poucos dias após a divulgação de informações sobre o imóvel, que foi alvo de buscas da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.
Rafael Thompson é uma figura conhecida nos bastidores da política fluminense. Ele já ocupou cargos estratégicos nos governos estaduais e foi secretário de Governo durante a gestão de Cláudio Castro. Mais recentemente, atuava na estrutura da Prefeitura do Rio após ser incorporado à administração municipal. Seu irmão, Mauro Farias, comandou a Secretaria de Transformação Digital e ganhou destaque após vir à tona que a empresa da qual é sócio adquiriu, em 2023, a cobertura de luxo localizada no condomínio Península, na Barra da Tijuca, imóvel atualmente alugado por Castro, segundo sua defesa.
Efeito dominó
A exoneração ocorre em meio ao aumento da pressão política provocada pelas investigações federais envolvendo contratos públicos e movimentações financeiras analisadas pela Polícia Federal. Embora Rafael Thompson não seja alvo das apurações divulgadas até o momento, sua proximidade familiar e política com personagens centrais do caso acabou ampliando o desgaste em torno de sua permanência na administração municipal. A medida também busca evitar que a repercussão da investigação alcance diretamente a Prefeitura do Rio, que tenta se desvincular das controvérsias envolvendo antigos integrantes do governo estadual.
A Operação Compliance Zero investiga supostas irregularidades relacionadas a aplicações financeiras do Rioprevidência e movimentou o cenário político fluminense nos últimos dias. Além das buscas realizadas em endereços ligados a Cláudio Castro, a descoberta de que a cobertura onde o ex-governador reside pertence a uma empresa controlada por Mauro Farias intensificou questionamentos sobre as relações políticas e empresariais entre integrantes do antigo governo. Nesse contexto, a saída de Rafael Thompson é vista por analistas como mais um reflexo das turbulências provocadas pelas investigações que continuam avançando no estado.