Brasileiro de 19 anos salva o torneio após sair dois sets atrás e elimina o maior campeão de Grand Slams da história
A quadra Philippe-Chatrier assistiu a uma cena que parecia improvável até para os roteiros mais ousados do esporte. Diante de um Novak Djokovic acostumado a transformar pressão em troféus, o brasileiro João Fonseca escreveu um capítulo histórico em Roland Garros. Depois de perder os dois primeiros sets, o carioca de apenas 19 anos encontrou forças para reagir, venceu por 3 sets a 2 e derrubou o sérvio em uma batalha memorável, entrando definitivamente para a história do tênis brasileiro.
A vitória teve contornos ainda mais simbólicos porque aconteceu justamente contra o jogador que ajudou a moldar a geração atual do esporte. Pela primeira vez diante de Djokovic, Fonseca superou o nervosismo inicial, resistiu à experiência do adversário e reverteu uma desvantagem de dois sets a zero para avançar às oitavas de final de Roland Garros. O triunfo foi imediatamente tratado como um dos maiores resultados da carreira do jovem brasileiro, e um dos momentos mais marcantes da temporada no circuito mundial.
Ecos de Guga em Paris
Diante da dimensão do feito, tornou-se inevitável a comparação com os primeiros passos de Gustavo Kuerten no saibro francês. Assim como aconteceu com Guga em 1997, quando o catarinense surpreendeu o mundo ao conquistar Roland Garros como um jovem desconhecido, João Fonseca também desafia expectativas, e desperta no torcedor brasileiro a sensação de estar presenciando o nascimento de uma trajetória especial. Guardadas as diferenças entre as épocas e os contextos, a atmosfera de encantamento que cerca o novo talento brasileiro lembra os dias que transformaram Kuerten em ídolo nacional.
O tamanho da vitória fica ainda mais evidente quando se observa quem estava do outro lado da rede. Djokovic buscava ampliar ainda mais seu legado entre os maiores campeões da história do tênis, mas encontrou pela frente um adversário que cresceu nos momentos decisivos, e não se intimidou diante da pressão. Com personalidade, agressividade, e maturidade incomum para a idade, Fonseca deixou Paris em estado de euforia, e alimentou a esperança de que o Brasil possa voltar a sonhar alto no palco mais tradicional do saibro mundial.