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Cláudio Castro desiste do Senado após operações da PF e mergulha em crise política no Rio

29/05/2026 11:28 Por Redação NTD

Ex-governador abandona disputa eleitoral em meio a investigações sobre Banco Master, Rioprevidência e pressão crescente dentro do PL

A derrocada política de Cláudio Castro ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira, 28, com o anúncio oficial de sua desistência da corrida ao Senado Federal. Após semanas de desgaste intenso, operações da Polícia Federal e avanço de investigações envolvendo bilhões de reais do Rioprevidência, o ex-governador do Rio de Janeiro decidiu abandonar o projeto eleitoral que vinha sendo articulado pelo PL para 2026. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Castro afirmou que irá concentrar todos os esforços em sua defesa e no esclarecimento das acusações. Nos bastidores políticos fluminenses, porém, a leitura é de que a situação se tornou insustentável diante da avalanche de denúncias, da pressão interna do partido e do risco de a crise contaminar os planos eleitorais da direita no estado. 

A decisão ocorre depois de Cláudio Castro ser alvo de duas operações da Polícia Federal em menos de 15 dias. A mais recente, ligada à Operação Compliance Zero, investiga suspeitas de irregularidades envolvendo aplicações superiores a R$ 3 bilhões do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master. Segundo as investigações autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, há indícios de que Castro teria exercido papel decisivo para viabilizar os aportes financeiros, com suspeitas de vantagens indevidas em troca das operações. Além disso, outra investigação da PF apura possíveis irregularidades relacionadas ao setor de combustíveis e à Refinaria de Manguinhos. O avanço das apurações ampliou o desgaste do ex-governador e acendeu um alerta máximo dentro do PL nacional. 

Pressão e desgaste

Nos bastidores, aliados do ex-Presidente Jair Bolsonaro já vinham demonstrando preocupação com o impacto político das investigações sobre a imagem do partido no Rio de Janeiro. Dirigentes do PL avaliavam que manter Cláudio Castro como candidato ao Senado poderia se transformar em um fator de desgaste para a campanha nacional da legenda em 2026, especialmente diante da repercussão negativa das operações da PF. A pressão interna aumentou após a divulgação de detalhes das investigações e das suspeitas envolvendo o Banco Master. Integrantes do partido passaram a defender discretamente a substituição de Castro na chapa, abrindo espaço para uma disputa interna entre outros nomes da direita fluminense interessados na vaga ao Senado. 

A crise política de Cláudio Castro se agrava ainda mais porque o ex-governador também enfrenta problemas na Justiça Eleitoral. Em março deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral o tornou inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Mesmo tentando reverter a decisão judicial, o cenário jurídico e político foi se deteriorando rapidamente. Agora, fora da disputa ao Senado e no centro de investigações explosivas, Castro vê sua trajetória política mergulhar em um dos momentos mais delicados desde que assumiu o comando do governo fluminense após o impeachment de Wilson Witzel. O episódio amplia a turbulência no cenário político do Rio e promete provocar uma intensa reorganização das forças eleitorais para 2026.