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Golpe virtual, doença e desespero: Paciente oncológica processa Banco Sofisa após perder R$ 25 mil em fraude

28/05/2026 04:13 Por Redação NTD

Mulher revela ter sido manipulada por criminosa que se passou por funcionária de segurança bancária; ação aponta falha do Banco Sofisa em bloquear movimentações consideradas atípicas

O telefone tocou em meio à rotina marcada por consultas médicas, remédios, e cuidados com a mãe idosa. Do outro lado da linha, uma mulher que se identificou como “Sueli” dizia, em tom urgente, que criminosos haviam invadido o celular da cliente e que suas contas bancárias estavam prestes a ser esvaziadas. Assustada e emocionalmente fragilizada, WGS, de 59 anos, correntista do Banco Sofisa acreditou estar diante de um procedimento oficial de segurança. Em poucos minutos suas economias desapareceram. O prejuízo chegou a R$ 25 mil, distribuídos em uma transferência PIX de R$ 10 mil, uma TED no mesmo valor e um pagamento de R$ 5 mil direcionado ao aplicativo 99. Agora, a vítima busca na Justiça o ressarcimento integral da quantia e indenização por danos morais.

De acordo com o processo, a vítima chegou a alertar o banco, via chat, sobre uma possível invasão em seu aparelho celular no momento em que percebia movimentações suspeitas. Entretanto, o sistema da instituição não registra as conversas realizadas na plataforma, impossibilitando a comprovação do aviso prévio. A defesa sustenta que o Banco Sofisa falhou em seu dever de segurança ao permitir operações completamente incompatíveis com o perfil financeiro da cliente, que utilizava a conta apenas para aplicações, e jamais realizava transferências para terceiros ou pagamentos de alto valor. Mesmo após sucessivos contatos com a instituição financeira, a resposta recebida foi a de que nada poderia ser feito porque as movimentações partiram da própria conta da vítima. Sem acordo administrativo, WGS decidiu recorrer ao Judiciário.

Vulnerabilidade agravada

A ação destaca ainda que a vítima atravessa um quadro de extrema vulnerabilidade biopsicossocial. Paciente em tratamento contra o câncer, ela também possui diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar, e realiza acompanhamento psiquiátrico e psicológico contínuo. Além da própria condição de saúde, a mulher é responsável pelos cuidados integrais da mãe idosa, que possui mobilidade reduzida. Segundo os autos, a criminosa teria explorado exatamente esse estado emocional fragilizado para pressionar psicologicamente a correntista e induzi-la a realizar as operações financeiras. A petição destaca que a perda das economias agravou severamente o quadro psicológico da autora, especialmente por comprometer recursos destinados ao tratamento oncológico, medicamentos, e despesas familiares essenciais.

No pedido apresentado à Justiça, a defesa sustenta que a relação entre cliente e banco é regida pelo Código de Defesa do Consumidor, e solicita a inversão do ônus da prova, alegando hipossuficiência técnica da correntista diante da instituição financeira. A ação também cita a Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual bancos respondem objetivamente por fraudes praticadas no âmbito das operações bancárias quando há falha de segurança. A autora pede a restituição integral dos R$ 25 mil desviados, acrescidos de juros e correção monetária desde 22 de janeiro de 2026, além de indenização por danos morais. O processo argumenta que o sofrimento experimentado ultrapassa o mero aborrecimento cotidiano, e atinge diretamente a dignidade e a saúde mental da vítima, já profundamente abaladas pelas condições médicas enfrentadas.