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Rio acelera adeus ao dinheiro nos ônibus e divide opiniões entre passageiros e especialistas

15/05/2026 09:30 Por Redação NTD

Prefeitura aposta em mais segurança e rapidez no embarque, enquanto especialistas alertam para desafios de inclusão digital e adaptação da população

O tilintar das moedas e a pressa para separar notas no fundo da bolsa estão com os dias contados nos ônibus municipais do Rio. A partir de 30 de maio, os passageiros deixarão de pagar as passagens em dinheiro e passarão a utilizar exclusivamente meios eletrônicos, como o cartão Jaé, QR Code e, em alguns casos específicos, o Riocard. A mudança anunciada pela Prefeitura faz parte do projeto de modernização do sistema de transportes da cidade e já provoca debates sobre praticidade, segurança e o impacto para milhares de usuários que ainda dependem do pagamento em espécie no dia a dia. 

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, a medida busca acelerar o embarque, reduzir assaltos e aumentar o controle da arrecadação no sistema de ônibus. O vice-prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que apenas entre 8% e 9% dos passageiros ainda utilizam dinheiro para pagar as viagens, destacando que modelos semelhantes já funcionam nos corredores do BRT e no VLT. Especialistas em mobilidade urbana ouvidos por veículos da imprensa avaliam que a digitalização acompanha uma tendência mundial nos transportes públicos, mas ponderam que a transição exige campanhas de orientação e alternativas acessíveis para idosos, trabalhadores informais e pessoas sem familiaridade com aplicativos ou cartões eletrônicos. 

Mudança em debate

Para estudiosos do setor, o fim do dinheiro físico pode ajudar a reduzir o tempo de parada nos pontos e diminuir riscos para motoristas e cobradores, já que a circulação de numerário dentro dos coletivos frequentemente atrai criminosos. Além disso, o novo sistema permitirá um acompanhamento mais preciso da quantidade de passageiros transportados diariamente. Ainda assim, há preocupação com possíveis dificuldades de acesso ao Jaé e sobre como a população mais vulnerável irá se adaptar à nova realidade tecnológica. A integração do Bilhete Único Carioca também passará a funcionar exclusivamente pelo cartão Jaé preto ou QR Code, ampliando a dependência do sistema digital. 

Nas ruas, a decisão já divide opiniões. Enquanto parte dos passageiros vê a novidade como um avanço capaz de tornar as viagens mais rápidas e seguras, outros reclamam da falta de informação e temem enfrentar dificuldades em situações emergenciais, como falta de bateria no celular ou problemas no aplicativo. A Prefeitura afirma que seguirá ampliando os pontos de atendimento e emissão do Jaé antes da entrada definitiva da nova regra. O fim do dinheiro nos ônibus marca mais um capítulo da transformação do transporte público carioca, em um cenário cada vez mais dominado pela bilhetagem digital e pelo monitoramento eletrônico da mobilidade urbana.