Menino era mantido acorrentado dentro de casa e morreu com sinais de tortura em São Paulo
Uma corrente presa ao pé da cama, hematomas espalhados pelo corpo e uma infância escondida atrás das paredes de uma casa na Zona Leste de São Paulo. Foi assim que a polícia encontrou o cenário da morte de um menino de 11 anos, identificado como Kratos Douglas, em um caso que chocou moradores da região do Itaim Paulista. A criança apresentava sinais de tortura, desnutrição e maus-tratos constantes. Segundo as investigações, o garoto era mantido acorrentado dentro da residência pelo próprio pai, que alegou à polícia que fazia isso para impedir que o filho fugisse.
Além do pai, preso preventivamente, a madrasta e a avó paterna do menino também foram detidas após a Polícia Civil concluir que ambas tinham conhecimento das agressões e da situação degradante em que a criança vivia. Em depoimento, as duas confirmaram que sabiam que o garoto permanecia preso por correntes dentro da casa. O Samu foi acionado pelo próprio pai, mas a equipe médica encontrou o menino já sem vida, com marcas de violência nos braços, pernas e mãos, além de espuma na boca e roxeamento nas extremidades.
Infância invisível
O caso ganhou contornos ainda mais perturbadores após relatos de vizinhos, que disseram desconhecer completamente a existência da criança. Segundo moradores da rua, o pai afirmava ter apenas dois filhos menores e jamais mencionava o menino de 11 anos. A polícia também descobriu que a vítima não frequentava escola e vivia praticamente isolada dentro da residência. No imóvel, os agentes encontraram ainda outras duas crianças, que foram encaminhadas ao Conselho Tutelar após o resgate.
A Polícia Civil apreendeu correntes metálicas, aparelhos eletrônicos e outros materiais que podem ajudar a reconstruir a rotina de violência vivida pelo garoto. O caso foi registrado como tortura qualificada com resultado morte e segue sob investigação. A brutalidade do crime reacendeu debates sobre falhas na rede de proteção à infância e lembrou outros episódios de violência familiar que marcaram o país nos últimos anos, como os casos de Assassinato de Henry Borel e Assassinato de Bernardo Boldrini.