Endividamento crescente e custo do crédito pressionam orçamento das famílias e elevam risco de calote no país
No Brasil de 2026, o orçamento doméstico virou um verdadeiro malabarismo: entre boletos, parcelas e juros elevados, sobra cada vez menos espaço para respirar, e pagar em dia. O peso das dívidas atingiu níveis históricos, transformando o crédito, antes solução emergencial, em um problema estrutural que corrói a renda e empurra milhões para a inadimplência.
Dados recentes mostram que o endividamento das famílias segue em trajetória ascendente, impulsionado principalmente pelo alto custo do crédito. Com a escalada da taxa básica de juros nos últimos anos, os encargos bancários dispararam; em alguns casos, saltando de cerca de 38% ao ano para mais de 60%. Esse movimento fez com que uma fatia crescente da renda fosse destinada apenas ao pagamento de dívidas, reduzindo drasticamente o poder de compra da população.
Ciclo perigoso
Especialistas apontam que o país entrou em um ciclo difícil de romper: juros elevados encarecem o crédito, o que aumenta o endividamento; por sua vez, o aumento das dívidas eleva o risco de calote, levando instituições financeiras a cobrarem taxas ainda maiores. O resultado é um efeito cascata que amplia a inadimplência, atualmente já em patamares recordes, com milhões de brasileiros incapazes de honrar seus compromissos financeiros.
Além disso, fatores como desemprego, perda de renda, inflação recente, e maior acesso ao crédito (especialmente via cartão e empréstimos) contribuíram para o agravamento do quadro. Mesmo com algum crescimento da renda média nos últimos anos, boa parte desse ganho é absorvida pelo pagamento de dívidas, o que limita a recuperação financeira das famílias e prolonga a sensação de aperto no dia a dia.