Conversas revelam que policial temia comportamento do companheiro, um tenente-coronel, enquanto investigação apura se houve feminicídio ou suicídio
“Qualquer hora me mata.” A frase, enviada em mensagem a uma amiga, ganhou peso central nas investigações sobre a morte da policial militar Gisele Santana, encontrada com um tiro na cabeça em São Paulo. O conteúdo, revelado por familiares, indica que a vítima vivia sob forte tensão no relacionamento com o marido, um tenente-coronel da PM, e temia possíveis atitudes violentas motivadas por ciúmes.
Segundo as mensagens, a policial relatava comportamento controlador do companheiro e dizia que ele ficava “cego” de ciúmes, demonstrando preocupação com a própria segurança. A mãe da vítima reforçou essa versão em depoimento, afirmando que a filha vivia um relacionamento abusivo, marcado por restrições, ameaças e vigilância constante.
Relacionamento sob suspeita
A defesa da família sustenta que há indícios de feminicídio, citando ainda um histórico de ameaças e denúncias envolvendo o oficial em relações anteriores. Registros policiais e relatos apontam episódios de perseguição, assédio e comportamento violento, o que, segundo os advogados, reforça a hipótese de crime.
Por outro lado, a defesa do tenente-coronel afirma que a morte foi resultado de suicídio e diz aguardar a conclusão das perícias. O caso, inicialmente registrado dessa forma, passou a ser tratado como morte suspeita e segue sob investigação da Polícia Civil, que aguarda laudos complementares para esclarecer as circunstâncias do disparo e determinar se houve crime.