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Harley-Davidson afunda no vermelho: crise forja novo rumo e sacode ícone das motos

20/02/2026 21:22 Por Redação NTD

Receita despenca e prejuízo dispara; marca dispensa elétricas e aposta em estratégia para recuperar fôlego

Numa reviravolta que parece saída de um roteiro de novela industrial, a lendária Harley-Davidson enfrenta um dos momentos mais difíceis de sua história — com números financeiros que deixariam qualquer apaixonado por motocicletas de big-twin sem palavras. No último trimestre, a receita da empresa caiu cerca de 28% e o prejuízo dobrou em comparação ao ano anterior, totalizando um rombo de US$ 279 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) no balanço — resultado que fez executivos chamarem **2026 de “ano de transição”. Mas os números frios escondem um fato ainda mais marcante: a marca de Milwaukee decidiu descontinuar sua linha de motos elétricas LiveWire, uma divisão que nunca conseguiu ganhar tração no mercado global e representava um grande símbolo de modernização da empresa.

Esse cenário financeiro — refletido também numa queda de 26% nas vendas globais em 2025 — não é um acaso isolado, mas sim o acúmulo de anos de dificuldades para uma fabricante acostumada a reinvenções constantes num mercado cada vez mais competitivo. Tarifa de importação, inflação, juros altos e uma base de consumidores tradicional que envelhece afastaram muitos potenciais compradores das motos caras e grandes que fizeram o mito da Harley.

Nada de elétrico

Após essa análise dura, a empresa anunciou que está abrindo mão de seu projeto elétrico — que englobava as LiveWire — para focar em modelos mais acessíveis e estratégias de mercado mais amplas. O movimento, segundo especialistas do setor, reflete a necessidade de corrigir rumos diante de uma queda que afeta não só a Harley, mas também outros fabricantes tradicionais de duas rodas — embora poucos tenham o peso simbólico e emocional da marca americana.

Entre as iniciativas para enfrentar a tempestade, a Harley aposta no lançamento de modelos de entrada com preço mais acessível em 2026, numa tentativa de atrair um público mais jovem e ampliar sua base de clientes. A estratégia, que inclui realinhar a linha de produtos e simplificar a oferta, ainda enfrenta ceticismo entre analistas, mas representa um esforço claro para reverter a trajetória negativa da fabricante que por décadas foi sinônimo de rebeldia, cultura biker e liberdade sobre rodas.