Imóveis

Arquiteta reforma casa de 4 m² e viraliza na internet

17/04/2025 1 visualizações

As paredes não tinham reboco, um pedaço de madeira improvisava a porta e a cerâmica quebrada forrava o piso. Mas o pior era quando chovia: ratos e baratas entravam pelos buracos da casa, que ficava de frente para um lixão de mais de 2 mil metros quadrados. Assim era o lar de Ester Carro.

Sua casa ficava no Jardim Colombo, parte de Paraisópolis, a maior comunidade de São Paulo, de onde era possível enxergar os condomínios afortunados do Morumbi. “Enquanto os apartamentos de lá tinham piscinas individuais, nós nunca conseguíamos terminar nossa casa por falta de dinheiro. Lembro quando ganhei uma caixinha de tintas escolares e comecei a pintar o meu quarto e o da minha irmã”, conta.

Ester Carro acredita que a arquitetura e o urbanismo é para todosFoto/Divulgação

Assim, cresceu determinada a mudar de vida. Em sua família, porém, ninguém havia ultrapassado o ensino médio. Sua mãe, empregada doméstica, e seu pai, pedreiro e depois líder comunitário, interromperam os estudos para trabalhar.

Ester Carro transforma lares da Periferia de São Paulo

Apesar das dificuldades, Ester entrou para a faculdade de arquitetura. Em 2017, aos 23 anos, fundou o Fazendinhando, um projeto social que promove moradias mais dignas nas favelas de São Paulo, recupera espaços degradados e capacita mulheres. Hoje, o programa já transformou mais de 350 casas.

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Uma delas ficou famosa: Ester reformou um lar de apenas 4 metros quadrados, incluindo banheiro, escada sob medida, armário e frigobar. A notícia viralizou nas redes, em 2024, e levantou debates sobre a precariedade da habitação no Brasil.

Planta da casa de 4 metros quadrados
Planta desenhada pelo projeto Fazendinhando para a casa de 4 metros quadrados de TiquinhoFoto/Divulgação

A profissional defende que ter espaço é fundamental, mas faz o que pode em todos os cenários. “A arquitetura e o urbanismo, muitas vezes, são trabalhados de forma individual, mas precisamos pensar de forma coletiva, porque isso pode ajudar a reduzir desigualdades”, diz ela.

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Hoje, Ester mora em um apartamento de 51 metros quadrados, entre a Vila Andrade e Paraisópolis, sem nenhum problema estrutural. “Ainda não está do jeito que quero, porque sou mãe solo e as mudanças acontecem aos poucos.” Ela também é a primeira da família a ter feito mestrado e, agora, doutorado.

Enquanto redefine seu próprio caminho, segue transformando a vida de muitas outras pessoas. “Arquitetura e urbanismo não são apenas sobre decoração. Eles impactam a autoestima, a saúde física e emocional das famílias. É completamente diferente morar em uma casa digna. Precisamos fazer uma transformação que seja para todos.”

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