Alta das receitas em 2025 é atribuída menos ao crescimento e mais ao aumento da carga tributária do cidadão
A arrecadação federal bateu recorde em 2025, alcançando o maior valor em 31 anos, mas o feito vem acompanhado de uma crítica inevitável: o resultado não nasceu apenas de uma economia mais dinâmica, e sim do avanço dos impostos pagos por empresas e cidadãos. Enquanto o governo celebra cofres cheios, contribuintes sentem no dia a dia o impacto de tributos mais altos, que ajudaram a empurrar a receita para cerca de R$ 2,88 trilhões no ano, já descontada a inflação.
Segundo dados da Receita Federal, o crescimento da arrecadação foi sustentado por mudanças na legislação tributária, elevação de alíquotas e ampliação de bases de cálculo, além de um desempenho econômico moderado. Em meses como novembro, a arrecadação chegou a R$ 226,7 bilhões, um dos melhores resultados da série histórica, reforçando a percepção de que o ajuste fiscal passou diretamente pelo aumento da carga sobre o contribuinte.
Conta alta para quem produz e consome
Impostos como Imposto de Renda, contribuições previdenciárias e tributos sobre operações financeiras e comércio exterior puxaram a alta, refletindo não só maior atividade econômica, mas também um esforço deliberado de arrecadar mais. Para especialistas, embora o crescimento ajude, a principal engrenagem desse recorde foi o aperto tributário, que elevou custos para empresas e reduziu a margem de consumo das famílias.
O resultado reacende o debate sobre o modelo de ajuste das contas públicas adotado em 2025. Críticos apontam que a estratégia de aumentar impostos pode garantir números robustos no curto prazo, mas cobra um preço alto da economia real, ao desestimular investimentos e pressionar a renda. Assim, o recorde histórico de arrecadação vem menos como sinal de eficiência econômica e mais como retrato de um país onde o equilíbrio fiscal segue recaindo, sobretudo, sobre quem paga a conta.