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Bem-estar & Saúde

Terapia precisa sair do consultório de crise e entrar na rotina de saúde

08/01/2026 19:01 Por Redação NTD

Especialistas defendem que o cuidado psicológico tenha o mesmo status preventivo de outras especialidades médicas

O sofrimento emocional já não bate à porta apenas em momentos de colapso — ele se infiltra silenciosamente na rotina, no sono fragmentado, nas dores persistentes e na sensação de esgotamento constante. Com transtornos mentais consolidando-se como uma das principais causas de incapacidade no mundo, especialistas alertam que a terapia precisa deixar de ser vista como último recurso e passar a ocupar lugar fixo no check-up de saúde, ao lado de exames laboratoriais e avaliações clínicas.

Dados da Organização Mundial da Saúde reforçam a dimensão do problema: a depressão afeta cerca de 322 milhões de pessoas no mundo, após crescer mais de 18% em uma década, atingindo aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros. O Transtorno de Ansiedade Generalizada chega a 5,1% da população no país, acima da média global, enquanto a fibromialgia impacta cerca de 2,5% da população mundial, frequentemente associada à dor crônica, depressão e ansiedade. Para o psicólogo e pesquisador Jair Soares dos Santos, fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT) e desenvolvedor da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), esses números mostram que a saúde psíquica precisa ser tratada de forma preventiva. “A terapia deve investigar registros emocionais acumulados em silêncio, antes que eles se manifestem como adoecimento”, afirma.

Novas abordagens em debate

O avanço dos casos também evidencia limites dos modelos tradicionais. Revisões recentes indicam que apenas cerca de um terço dos pacientes com depressão alcança remissão completa, com altas taxas de recaída, enquanto estudos apontam prevalência de até 40% de depressão resistente ao tratamento no Brasil. No campo da ansiedade, terapias convencionais melhoram sintomas, mas não garantem proteção duradoura. Nesse cenário, a TRG surge como abordagem complementar, baseada em princípios de neuroplasticidade e no reprocessamento de memórias emocionais, estruturada em cinco protocolos que percorrem experiências da infância à vida adulta. Uma revisão publicada em 2024 descreve resultados promissores em quadros como depressão, ansiedade, fibromialgia e ideação suicida, embora ressalte a necessidade de estudos clínicos mais robustos.

Casos clínicos relatam melhora significativa de sintomas emocionais e físicos após ciclos de TRG, inclusive com desmame medicamentoso supervisionado e manutenção dos resultados ao longo do tempo. Pesquisas também destacam a relação entre sintomas físicos sem causa orgânica clara e registros emocionais não processados, comuns em pacientes que circulam por diferentes especialidades sem diagnóstico conclusivo. Para especialistas do IBFT, o desafio agora é transformar o cuidado emocional em prática cultural e institucional, estimulando a busca por terapia antes da crise. “Quando a terapia entrar na agenda com a naturalidade de uma consulta de rotina, será possível reduzir afastamentos, evitar agravamentos e aliviar um peso silencioso que hoje recai sobre pessoas, famílias e o sistema de saúde”, conclui Soares.