Prefeito afirma que cidade tem espaço para refugiados, mas torce para que crise na Venezuela diminua fluxo migratório
Num cenário global que combina tensões geopolíticas e fluxos migratórios, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), fez nesta segunda-feira, 5, uma declaração atípica para o início de 2026: ele espera que não aumente a chegada de venezuelanos à capital paulista, mas reiterou que, caso isso ocorra, a cidade está preparada para receber os imigrantes com “muito carinho”. Sua fala surge em meio ao impacto internacional da recente captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em uma operação dos Estados Unidos — um episódio que pode influenciar decisões de famílias inteiras sobre deixar o país vizinho.
Segundo Nunes, a detenção de Maduro pelos EUA poderia reduzir a “necessidade” de venezuelanos saírem de seu país — uma crise que tem raízes profundas e já levou milhões de pessoas a buscar refúgio em outras nações, incluindo o Brasil. A prefeitura afirma que São Paulo, que atualmente abriga cerca de 1.009 venezuelanos em abrigos e serviços sociais, dispõe de aproximadamente 27 mil vagas, com cerca de 21 mil pontos de acolhimento ocupados — o que, para Nunes, significa que há capacidade para integrar novos migrantes, se for o caso.
Apoio e recepção
Políticas públicas voltadas à migração têm sido objeto de discussão não apenas em São Paulo, mas também nas esferas estadual e federal. Especialistas apontam que a instabilidade política e social na Venezuela pode aumentar a pressão sobre as fronteiras brasileiras nos próximos meses, incluindo o potencial crescimento de fluxos migratórios rumo ao interior do país se as condições no país vizinho piorarem. Em paralelo, movimentos sociais e grupos na capital paulista já têm se mobilizado em solidariedade aos venezuelanos, destacando a importância de respeito e dignidade no acolhimento e na proteção dos direitos humanos.
A fala de Nunes, portanto, mistura cautela e receptividade: por um lado, ele espera que menos pessoas precisem migrar; por outro, reafirma a tradição de São Paulo como cidade receptiva em tempos de crise humanitária. Em um momento de incerteza regional, suas declarações reforçam o papel da maior metrópole brasileira tanto como porto seguro para quem chega quanto como protagonista nas discussões sobre migração e integração social no país.