Sorrisos perfeitos na fachada, denúncias graves nos bastidores rendem condenação por assédio sexual em São Paulo
Quem passava pela porta reluzente da clínica de alto padrão dificilmente imaginava que, por trás dos equipamentos caros e da decoração sofisticada, o clima era tudo menos profissional. Larissa Bressan dona do consultório, acostumada a mandar abrir bocas e alinhar dentes, acabou tendo de engolir uma sentença pesada: 4 anos, 3 meses e 15 dias de prisão por assédio sexual contra funcionários. A Justiça considerou que o ambiente de trabalho foi transformado em um palco de abusos, onde o poder falava mais alto do que a ética.
Segundo o processo, seis ex-empregados relataram situações constrangedoras e repetidas, sempre marcadas pela relação de hierarquia. Jovens, no início da carreira e com salários modestos, eles afirmaram que eram pressionados a aceitar comportamentos inadequados para não perder o emprego. A juíza destacou que a posição de chefe foi usada como instrumento de intimidação, o que agravou a condenação.
Luxo por fora, abuso por dentro
Nos autos, surgiram ainda relatos de ameaças veladas e tentativas de silenciar as vítimas, com menções a supostas influências familiares na área jurídica. Mesmo assim, a versão não convenceu o Judiciário, que reconheceu o padrão de conduta e aplicou, além da pena, indenização individual às vítimas. A defesa informou que vai recorrer e que a ré responderá em liberdade.
O caso, que ganhou grande repercussão, expôs um contraste incômodo: enquanto a clínica vendia a imagem de excelência e sucesso, funcionários descreviam um cotidiano de medo, humilhação e constrangimento. No fim das contas, o brilho do luxo não foi suficiente para ofuscar as denúncias, e o sorriso que ficou foi o amargo, estampado na sentença judicial.