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EUA miram turistas da Europa e Japão e querem histórico de redes sociais dos últimos cinco anos

11/12/2025 04:03 Por Redação NTD

Medida proposta pelo governo Trump amplia rigor na entrada de estrangeiros e inclui dados de parentes; setor teme impacto ainda maior no turismo 

Num movimento que amplia as fronteiras da vigilância digital, o governo dos Estados Unidos propôs nesta quarta-feira, 10, que turistas atualmente isentos de visto entreguem às autoridades os históricos de redes sociais dos últimos cinco anos. A iniciativa, que surpreendeu até especialistas em imigração pela abrangência, reforça a guinada de Washington rumo a um controle cada vez mais minucioso de quem cruza suas fronteiras.

A mudança afetará diretamente cidadãos de 42 países — entre eles Alemanha, França, Reino Unido e Japão — que hoje utilizam apenas o ESTA, o Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem. Além de redes sociais, os viajantes poderão ter que listar números de telefone usados nos últimos cinco anos e endereços de e-mail dos últimos dez. Também poderão ser exigidos nomes, endereços, datas e locais de nascimento de pais, cônjuges, irmãos e filhos, além dos telefones recentes deles. Caso haja inconsistências, o visitante corre o risco de ser barrado. O texto foi publicado no Federal Register pela Alfândega e Proteção de Fronteiras e ficará sob análise pública por 60 dias.

Risco de endurecimento 

A proposta surge dias após o Departamento de Estado orientar consulados a negar vistos, inclusive de trabalho, a estrangeiros que tenham atuado em moderação de conteúdo, checagem de fatos ou segurança digital — áreas que, segundo o governo Trump, configurariam “censura” e “supressão da livre expressão”. O clima de endurecimento se somou a outras medidas tomadas ao longo do ano, incluindo uma proposta de julho que buscava limitar a permanência de jornalistas estrangeiros nos EUA.

O cenário se insere num país que vive alta tensão política e queda contínua no turismo internacional. Em publicação recente, Trump chegou a declarar que bloquearia “permanentemente” a entrada de cidadãos de países de “terceiro mundo”, num momento em que o setor já contabiliza prejuízos bilionários. Segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), os gastos de turistas estrangeiros devem cair de US$ 181 bilhões em 2024 para menos de US$ 169 bilhões em 2025 — uma retração de US$ 12,5 bilhões. Casos de detenção de turistas, como alemães mantidos por semanas, ampliaram o desgaste da imagem do país. A Alemanha, inclusive, atualizou suas recomendações de viagem, alertando que autorização de entrada não garante acesso ao território americano. A preocupação ganha relevância com a proximidade da Copa do Mundo de 2026 e dos Jogos Olímpicos de 2028, quando é esperada uma forte pressão sobre o sistema de imigração dos EUA.