JAL adota visual mais confortável e segue tendência global de relaxamento de códigos de vestimenta
Quando um simples par de tênis vira símbolo de transformação, algo profundo está acontecendo. Depois de décadas sustentando uma imagem de formalidade quase inabalável, a Japan Airlines (JAL) — referência mundial em rigor e excelência — decidiu romper com o tradicionalismo dos sapatos sociais e liberar o uso de tênis pretos simples por seus comissários e funcionários de aeroportos. O gesto, que parece pequeno, marca uma virada significativa na cultura corporativa japonesa.
Válida desde 13 de novembro, a medida alcança cerca de 14 mil profissionais de seis empresas do grupo e atende a um desejo antigo de quem passa horas em pé: trocar o desconforto do couro rígido pelo alívio de um calçado acolchoado. O sapato social continua permitido, mas deixa de ser um símbolo obrigatório da “boa aparência”, abrindo espaço para um uniforme mais funcional e alinhado ao bem-estar físico dos trabalhadores.
Mudança impulsionada por nova geração
A decisão da JAL reflete um movimento mais amplo no mercado de trabalho do Japão, onde a escassez de mão de obra tem levado grandes corporações a revisar normas estéticas mantidas por décadas. Em setores como varejo e serviços, cabelos coloridos, unhas decoradas e até tatuagens — por muito tempo associadas à marginalidade — passaram a ser aceitas. A rede Don Quijote, por exemplo, afirma que 25% de seus funcionários exibem cores vibrantes no cabelo, um reflexo direto da disputa por atrair jovens talentos.
No caso da aviação, além do conforto, pesa também a segurança. Em comunicado, a JAL destacou que a liberação dos tênis dialoga com as exigências práticas de um trabalho que envolve longas caminhadas, deslocamentos constantes e esforço físico contínuo. A flexibilização soma-se a outras mudanças recentes, como camisas com gola aberta e coletes ventilados para enfrentar o calor do verão japonês. Juntas, essas medidas apontam para um ambiente de trabalho mais moderno, inclusivo e sustentável — e para uma companhia que decide, passo a passo, deixar o formalismo no passado.