A maior ação policial da história do estado deixou um rastro de destruição, mortes e medo na Zona Norte do Rio, com confrontos, prisões e cenas de saques durante o caos nas comunidades
O Rio de Janeiro viveu nesta terça-feira um dos dias mais sangrentos de sua história recente. Até o início da noite, o balanço oficial da megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão já somava 64 mortos — entre eles quatro policiais e 60 criminosos ligados ao narcotráfico — além de oito agentes feridos, e quatro moradores atingidos. Em meio ao clima de guerra, vídeos que circularam nas redes sociais mostraram moradores saqueando estabelecimentos comerciais, carregando peças de carne, caixas de cerveja, e outros produtos, em cenas que expuseram o colapso completo da ordem pública da capital fluminense.
A operação, que envolveu 2,5 mil agentes da Polícia Civil, Militar e promotores do Gaeco, tinha como objetivo cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho, incluindo 30 foragidos de outros estados. Segundo a Polícia Civil, 81 pessoas foram presas, e 93 fuzis foram apreendidos. Durante o confronto, criminosos usaram 71 ônibus como barricadas, bloqueando acessos e transformando a Zona Norte em um território sitiado.
Rotina paralisada e pânico generalizado
O impacto foi devastador: 46 escolas e cinco unidades de saúde suspenderam suas atividades, e o transporte público foi praticamente interrompido. Caminhões e carretas foram incendiados para bloquear vias como a Avenida Brasil, a Linha Amarela e a Grajaú-Jacarepaguá, paralisando a cidade. Em vídeos amplamente compartilhados, era possível ver moradores aproveitando o caos para saquear supermercados, enquanto outros buscavam abrigo debaixo de camas e dentro de banheiros, tentando escapar da troca de tiros.
De acordo com informações da inteligência da Secretaria de Segurança, a ordem para os ataques à população e as ações de resistência partiram de dentro da penitenciária de segurança máxima Bangu 3, onde estão algumas das principais lideranças do Comando Vermelho. A Operação Contenção, como foi batizada, pretendia frear o projeto de expansão territorial da facção, mas terminou reacendendo o debate sobre o controle do crime organizado nas prisões e os limites das ações policiais em comunidades densamente povoadas.