Montadora alemã aposta em ex-executivo da Ferrari e McLaren para tentar reverter crise, especialmente na China
O ronco dos motores vai continuar, mas a direção mudou em Stuttgart. Após perder mais da metade de seu valor de mercado e ver suas vendas desabarem, a Porsche anunciou a saída de Oliver Blume da presidência e a nomeação de Michael Leiters — ex-CEO da McLaren e ex-diretor técnico da Ferrari — como novo CEO a partir de 1º de janeiro de 2026. A decisão encerra a polêmica “dupla jornada” de Blume, que acumulava também o comando do Grupo Volkswagen.
A troca ocorre em meio a um cenário preocupante. As entregas da Porsche na China, que já foi seu maior mercado, despencaram 26% nos primeiros nove meses de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, e o país hoje responde por apenas 15% das vendas globais. O fiasco dos modelos elétricos diante da concorrência chinesa — mais barata e tecnologicamente avançada — levou a empresa a rever sua estratégia e voltar a apostar nos motores a combustão.
Nova arrancada, velhos motores
O desafio de Leiters será enorme. Além de recuperar a confiança dos acionistas e a rentabilidade, ele precisará reposicionar a marca em um mercado global em rápida transformação. Com passagens por Ferrari e McLaren e 13 anos dentro da própria Porsche, onde liderou o projeto do SUV Cayenne, o novo CEO é visto como um nome técnico e de peso.
A expectativa é de que sua experiência ajude a recolocar a montadora no caminho da inovação e do lucro — em um momento em que até o Grupo Volkswagen enfrenta dificuldades semelhantes, tendo perdido a liderança histórica na China para a BYD e agora ameaçado pela ascensão meteórica da Geely.