Apresentador se despede em novembro e passará a comandar o “Globo Repórter” ao lado de Sandra Annenberg
No mesmo dia em que o Jornal Nacional celebrou seus 56 anos de existência, William Bonner transformou o aniversário do telejornal em um marco pessoal: anunciou que deixará a bancada após quase três décadas no comando. Aos 61 anos, o jornalista, que se tornou o rosto mais duradouro do noticiário, encerrará sua trajetória como âncora no dia 3 de novembro, quando passará o posto a César Tralli, que dividirá a apresentação com Renata Vasconcellos.
A transição, planejada há cinco anos em conjunto entre o jornalista e a Globo, também envolve mudanças na direção. A partir de novembro, a edição-chefe ficará sob a responsabilidade de Cristiana Sousa Cruz, atual adjunta e parceira de Bonner na condução editorial há seis anos. O movimento faz parte de uma estratégia de renovação gradual no núcleo de jornalismo da emissora.
Nova fase na Globo
A partir de 2026, Bonner deixará de vez as funções executivas e diárias no JN para assumir um novo desafio no Globo Repórter, ao lado de Sandra Annenberg. Segundo ele, a mudança busca reduzir a carga de trabalho, e abrir espaço para maior dedicação à família e a projetos pessoais.
Outros ajustes também foram anunciados pela Globo: Roberto Kovalick assumirá a apresentação do Jornal Hoje, enquanto Tiago Scheuer ficará responsável pelo Hora Um, consolidando uma reestruturação mais ampla na programação jornalística da emissora. Leia, abaixo, a nota oficial do apresentador:
“Esse aniversário do JN não tem número redondo, lançamento de livro, série especial de reportagens. E, mesmo assim, foi o que consumiu mais tempo pra ser preparado. Foram cinco anos, desde a minha primeira conversa com a direção do jornalismo sobre o desejo de reduzir a carga horária e as responsabilidades exigidas pela chefia e pela apresentação do JN. Precisamos superar a fase crítica da pandemia, arquitetar sucessões e preparar sucessores até a data do anúncio das novidades. E, finalmente, podemos todos conversar sobre essas conquistas e movimentos sem reservas. Alguns números ajudam a explicar meu desejo e minha necessidade de mudar de ritmo. São 29 anos e quatro meses de JN. Exatos 26 anos como chefe da equipe de editores, comandando reuniões, avaliando pautas, planejando edições, apresentando as notícias a milhões. Nesse período, tornei-me pai, vi minhas crianças acharem que se tornaram adultos. Mudaram de endereço, até de país. Ser recebido pelo Globo Repórter me deixa honrado e gratíssimo. Todos os meus amigos me ouviram falar do sonho de integrar essa equipe quando pudesse deixar o JN. De todos os programas do jornalismo já existentes quando cheguei à Globo, é o único em que nunca atuei, nem interinamente, em 39 anos. Lembro quando a Sandra Annenberg chegou lá. Amiga de décadas, cúmplice do meu sonho, que era dela também, Sandra me mandou mensagem carinhosa: ‘Cheguei antes, amigo. Te espero aqui!’ Ano que vem, estaremos juntos por lá. O Tralli receberá o carinho e o apoio merecidíssimo que o time do JN sabe compartilhar. E terei prazer de continuar colhendo até lá.”