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Vale-alimentação para servidores públicos inativos revolta trabalhadores

24/07/2025 23:47 Por Redação NTD

Consulta pública no Senado sobre auxílio gera indignação em meio à crise econômica e desigualdade social

Enquanto milhões de brasileiros lutam para colocar comida na mesa, o Senado discute uma ideia que causa mais revolta do que reflexão: criar um vale-refeição para servidores públicos aposentados. É isso mesmo, segundo a proposta, quem já não trabalha mais — independente do tempo de inatividade — deveria receber um auxílio todo mês para custear a alimentação. Bancado com dinheiro público, claro.

A proposta, publicada no portal e-Cidadania por um servidor municipal de Praia Grande (SP), está em consulta pública. Se atingir 20 mil apoios até 26 de julho, pode virar sugestão legislativa e entrar na fila para votação no Congresso. Grupos do próprio funcionalismo já se mobilizam para que a proposta avance.

Só que esse tipo de benefício já foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A Súmula Vinculante 55 é clara: auxílios como esse só podem ser pagos a quem está na ativa. Ainda assim, entidades como a Fenajufe, MOSAP e ASSEJUS defendem a ideia com o argumento de que aposentados enfrentam perda de renda e precisam de “segurança alimentar”.

Mais que o salário mínimo

Servidores do Senado e do TCU recebem hoje R$ 1.784,42 só de auxílio-alimentação. No Executivo federal, o valor é de R$ 1.000, congelado há anos. Agora, cogitar dar esse benefício também a quem já está aposentado reforça o velho padrão de Brasília: os de cima criam privilégios, e o povo paga a conta.

Do outro lado da história, quem carrega o país nas costas sobrevive com R$ 1.412 por mês vê seu dinheiro ir embora em tributos, enfrenta filas nos hospitais e escassez de policiamento, enquanto escuta das autoridades que não há verba para investimentos básicos. A situação já é cruel — e certas propostas parecem debochar da população.