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Barcos elétricos: a revolução silenciosa que navega abaixo do radar

24/07/2025 11:52 Por Redação NTD

Com tecnologia limpa e silenciosa já disponível, o setor náutico brasileiro pode viver uma revolução verde através de cooperativas. Mas, por enquanto, falta visão e infraestrutura

Enquanto os carros elétricos ganham as ruas e os eletropostos se multiplicam nas estradas mundo afora, um dos motores mais poluentes e ignorados do planeta segue navegando à margem da transição energética: os barcos. Lanchas, iates e outras embarcações de lazer ainda queimam centenas de litros de diesel a cada passeio, especialmente em um país litorâneo, como o Brasil, contribuindo para a degradação ambiental de paraísos naturais — e gastando caro por isso.

Mas há uma alternativa em curso, ainda pouco visível, mas promissora. Os barcos elétricos já existem, são silenciosos, não emitem poluentes e podem ser recarregados com energia solar. A economia no consumo pode chegar a 90% em relação aos combustíveis fósseis. A tecnologia está em franca evolução e já há conversões sendo feitas no Brasil, com valores que variam entre R$ 55 mil e R$ 180 mil, dependendo do porte da embarcação.

O que falta, no entanto, é infraestrutura. Assim como os carros precisam de eletropostos, os barcos elétricos necessitam de pontos de recarga na costa. É aí que o cooperativismo pode mudar o jogo. Uma solução é unir proprietários de embarcações elétricas em cooperativas para criar “ilhas solares”, com estações de recarga flutuantes abastecidas por painéis fotovoltaicos, estaleiros para conversão de motores e estrutura compartilhada.

Sustentabilidade e lucro

Esse modelo não só barateia os custos como também fomenta um novo turismo sustentável, alinhado à urgência ambiental do nosso tempo. A economia do mar ganha tração, com geração de empregos, atração de investimentos e posicionamento do Brasil num mercado que, segundo projeções, deve ultrapassar os 14 bilhões de dólares até 2030. Só o setor de infraestrutura náutica elétrica cresce mais de 20% ao ano no mundo.

No entanto, o Brasil ainda engatinha nesse setor. Falta incentivo, falta planejamento, mas, principalmente, falta gente enxergando o potencial de um modelo colaborativo para acelerar essa transformação. Afinal, faz sentido seguir pagando mais por algo mais poluente, só porque “sempre foi assim”? A boa notícia é que a mudança já começou — mesmo que silenciosa como um barco elétrico cruzando o horizonte.